NO LIMITE 'Ninguém fica satisfeito: nem médico, nem cliente'
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sábado, 28 de abril de 2012
Fábio Galão <br>Reportagem Local 
''Desde 2003, o número de beneficiários de planos aumentou 50%. Isso pela melhora da questão econômica, mais empregos, mais empresas que oferecem plano de saúde para os funcionários. Só o que não cresceu foi o valor dos honorários dos médicos'', diz Gerson Zafalon Martins, membro do Conselho Federal de Medicina (CFM).
O médico justifica que os recentes descredenciamentos dos planos de saúde foram a única alternativa que muitos profissionais encontraram. ''A questão não é querer ganhar muito. É querer ganhar o suficiente para viver, honrar compromissos, pagar funcionários'', afirma Martins.
O conselheiro argumenta que a defasagem dos valores pagos e o ''engessamento'' dos procedimentos atingem médicos de todas as especialidades. ''O fato é que ninguém fica satisfeito. O médico não fica, nem o cliente, que paga para ter o direito e não é atendido.'' Na semana passada, os médicos promoveram um Dia Nacional de Advertência aos Planos de Saúde. A categoria alega que desde 2000 a inflação acumulada no País chegou a 120% e os reajustes dos planos de saúde a 150%, enquanto as revisões nos honorários dos médicos ficaram abaixo de 50%.
A Federação Nacional de Sa© úde Suplementar (Fenasaúde), que representa parte das principais operadoras de planos de saúde do Brasil, informa que o reajuste médio do valor das consultas médicas praticado por suas afiliadas entre 2005 e 2011 foi superior à variação do IPCA. Luiz Augusto Ferreira Carneiro, superintendente-executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), diz que as negociações entre as operadoras e os médicos são ''legítimas'', mas reajustes acentuados de honorários podem pesar no bolso dos beneficiários.
''O Brasil tem mais de mil operadoras. A maioria tem poucos beneficiários e atende somente uma determinada localidade. Depois, temos as médias e grandes operadoras, que atuam nos grandes centros. Não temos uniformidade na remuneração. Dessa forma, o processo de negociação é legítimo, mas é um mercado muito competitivo, em que a margem de lucro é enxuta, de 2% a 3%'', afirma Carneiro. (F.G.)


