A enfermeira Andrielle Aparecida Martins Barbieri, de 30 anos, nunca havia sido usuária de plano de saúde até o ano passado. ''Há um ano, comecei a pagar o plano, porque ia ter filho. Queria ter mais segurança para quando precisasse de atendimento'', justifica a jovem, que contratou o plano do hospital onde trabalha, em Londrina.
''Nunca havia feito plano de saúde antes pela questão financeira. Hoje, acho que os valores estão mais acessíveis'', diz Andrielle, que depois incluiu no plano o marido e o filho, Miguel, nascido há três meses.
A enfermeira e sua família estão entre os 15,8 milhões de novos beneficiários que o setor de saúde suplementar angariou no Brasil nos últimos oito anos. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 2003 a taxa de cobertura de planos privados de assistência médica era de 18% da população brasileira. No ano passado, o índice atingiu 25%.
Isso representa que, em apenas oito anos, o número de brasileiros que possuem plano de saúde privado passou de aproximadamente 31,8 milhões de pessoas para 47,6 milhões. Resta saber se as operadoras estão aptas a responder satisfatoriamente ao aumento da demanda e a contornar a insatisfação dos médicos conveniados.
Luiz Augusto Ferreira Carneiro, superintendente-executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), explica que esse crescimento foi puxado pelo aquecimento da economia, principalmente pelo aumento do nível de emprego: os planos de saúde se tornaram uma alternativa das empresas para atrair funcionários.
''O que as pessoas tendem a achar é que o aumento de renda de grande parte da população brasileira tem sido o propulsor desse aumento. É um fator que contribui, mas não é a razão principal. Embora muitas pessoas tenham migrado para a classe C, isso não significa que passaram a ter renda suficiente para contratar um plano na modalidade individual, que ainda é caro'', aponta Carneiro. De acordo com ele, o amior aumento foi verificado nos planos de saúde coletivos empresariais, modalidade em que uma empresa contrata a operadora e os funcionários passam a ter a cobertura de um plano de saíde. ''Esta modalidade representa 62% do mercado privado de saúde suplementar'', detalha o superintendente.
Maior que o PIB
José Cechin, diretor-executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), reforça que o crescimento dos planos de saúde tem superado a variação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. ''Em 2011, o crescimento do número de beneficiários de planos de saúde foi de 4,2%. Esse percentual corresponde ao esperado, dado o crescimento econômico que se observou no ano passado. O crescimento de pouco menos de 2,8% do PIB veio em sequência ao crescimento do mercado em mais de 7% em 2010. Esse dinamismo criou um clima de boas expectativas'', explica. ''A continuidade do crescimento do emprego e das rendas durante boa parte do ano de 2010, ainda que em ritmo menor, estimulou as pequenas e médias empresas a contratarem planos de saúde como forma de atrair e reter talentos em um mercado também concorrido.''
Porém, isso traz novas implicações e demandas às operadoras. ''O crescimento do número de beneficiários rejuvenesce a carteira, já que são os planos corporativos os que mais crescem. As operadoras devem ficar atentas ao fato de que, ao crescimento do número de beneficiários, segue-se necessariamente um crescimento das despesas de assistência à saúde, na exata medida que os novos possuidores de planos passam a utilizar os serviços de saúde'', aponta Cechin.
O superintendente do IESS completa que diante do aumento da demanda, muitas operadoras que possuem redes próprias adotaram a estratégia de comprar hospitais e participação em laboratórios com o objetivo de ter controle maior sobre procedimentos e custos.

mockup