Há 30 anos, no dia 25 de junho de 1988, Londrina inaugurava um terminal rodoviário moderno, cujo projeto arquitetônico levou a assinatura do consagrado arquiteto Oscar Niemeyer. A história, entretanto, começou exatamente uma década antes, quando o então prefeito Antônio Belinati apresentou a maquete da obra que iria ocupar o terreno da antiga Vila Matos - onde por anos funcionou a "zona do meretrício de Londrina" - e anunciou a contratação do arquiteto que construiu a capital federal Brasília para projetar o espaço.

De acordo com reportagens publicadas pela FOLHA na época, a construção iniciou no prazo previsto, mas, por falta de recursos para finalizar o projeto original, acabou paralisada. Quem confirma essa história é o engenheiro Junker Grassiotto, que foi secretário de Obras na gestão seguinte, de Wilson Moreira, e acabou responsável por encontrar uma solução para finalizar o terminal.



Com aval de Moreira, ele definiu novo orçamento e visitou Niemeyer no Rio de Janeiro para solicitar a readequação do projeto. "Tinha um teto de recursos para gastar e ele cobrou um valor abaixo do que esperávamos, por isso contratamos a readequação do projeto e depois executamos", afirma Grassiotto.

Ele também esclarece que, a despeito de comentários sobre a insatisfação de Niemeyer sobre a versão final da obra, todos os projetos foram assinados por ele. "Portanto, o Terminal Rodoviário de Londrina é uma obra de Oscar Niemeyer. Ele foi contratado para fazer as alterações, entregou o projeto que foi executado e recebeu por ele", garante.

Da época das visitas, o engenheiro tem lembranças da genialidade de Niemeyer. "Para resolver um problema da caixa d'água, ele a desenhou na minha frente", conta, destacando que o arquiteto era uma pessoa "extremamente simples". "O escritório era pequeno. Ele fazia os croquis e terceirizava o projeto para outro escritório."

E para encerrar de vez a polêmica sobre a autoria do projeto da Rodoviária de Londrina, Grassiotto revela que foi o primeiro a discursar na cerimônia de inauguração e, na ocasião, leu um telegrama do próprio Niemeyer parabenizando pela obra. "Ele não gostava de andar e avião e, na época, já era um homem idoso. Foi só por isso que não participou da cerimônia", afirma.(C.A.)

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