O Exército da Nicarágua prepara um ''plano contingente'' diante dos eventuais distúrbios que possam originar um estado de emergência depois das eleições previstas para hoje, anunciou o ministro de Defesa, José Adán Guerra. Numa entrevista coletiva, Guerra revelou que essa operação é adicional ao trabalho executado pela instituição militar castrense para garantir as eleições.
O ministro disse que recebeu ordem do presidente nicaraguense, Arnoldo Alemán, de colocar o Exército em apoio da Polícia Nacional ''para garantir a estabilidade e a segurança cidadã antes, durante e depois das eleições''. A ordem assinala que esse plano de segurança será desenvolvido ''sem prejudicar outras decisões (estado de emergência) quando as circunstâncias o requeiram'', afirmou Guerra.
Segundo a Constituição nicaraguense, o presidente do país é o único autorizado a decretar um estado de emergência, que pode suspender os direitos individuais e controlar a imprensa, em caso de grandes desastres naturais, distúrbios sociais ou guerra.
José Adán Guerra confirmou à EFE que o governo não tem informações de que esteja sendo preparada uma conspiração contra as eleições, e negou que o presidente Alemán pretenda ditar o estado de emergência com o objetivo de prejudicar o resultado das eleições. Alemán expressou na semana passada que sua mão não tremerá para decretar um estado de emergência.
O ministro de Defesa assegurou que os planos de contingência e prevenção sobre os eventuais distúrbios ''serão tomados cada ano que houver eleições no país, a diferença é que agora desejamos ser transparentes''. Explicou que a ordem presidencial foi expedida a pedido unânime dos sete magistrados do Conselho Supremo Eleitoral (CSE) e estará vigente ''até a proclamação (4 de dezembro de 2001) e a posse dos eleitos (10 de janeiro de 2002)''.
Guerra lembrou que ano passado, durante as eleições municipais de novembro, houve distúrbios, em alusão aos protestos no Caribe do partido Yátama (filhos da mãe terra, em língua mískita) porque foi excluído das eleições. Nessa ocasião, o Exército não entrou em ação para controlar os indígenas que durante três dias enfrentaram a polícia em Puerto Cabezas, capital da região, 560 quilômetros ao nordeste de Manágua.
Segundo o ministro de Defesa, o plano de segurança coordenado entre o Exército e a polícia procura manter a paz e a estabilidade interna, para cumprir cabal e profissionalmente com as tarefas e os deveres estabelecidos na Constituição e na Lei Eleitoral.
Guerra precisou que ''não se trata de militarizar os comícios nem substituir as funções da polícia, mas o objetivo é contribuir para a salvaguarda dos direitos constitucionais de cada nicaraguense, como a livre circulação de pessoas e veículos''. Indicou que a Lei Eleitoral obriga o Exército a prestar apoio ao CSE, e com esse propósito a instituição militar desenhou um plano de segurança para proteger os funcionários eleitorais e o material de votação, assim como objetivos estratégicos previamente definidos.
José Adán Guerra pediu aos líderes dos partidos políticos para que peçam a seus militantes serenidade e pacifismo antes, durante e depois das eleições, e a aceitar de forma cívica os resultados, ''evitando tensões desnecessárias''.

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