NEONATAL - País precisa investir na prevenção de prematuros
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domingo, 18 de novembro de 2012
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Dados divulgados recentemente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, dos 130 milhões de nascimentos que ocorrem anualmente em todo mundo, cerca de 15 milhões são prematuros (antes de 37 semanas de gestação). O Brasil registra em média 279 mil casos por ano, ocupando a décima colocação no ranking dos países. Além da posição, o Ministério da Saúde (MS) aponta um crescimento de 27% de partos prematuros no período de dez anos. Ainda que o limite de viabilidade de vida dos bebês seja mais precoce, de acordo com a OMS, o parto prematuro é a segunda maior causa de morte de crianças com menos de 5 anos de idade, ficando atrás da pneumonia.
Visando sensibilizar a população sobre a importância de prevenir o parto antes da hora, a data de 17 de novembro foi instituída como Dia Mundial da Prematuridade. Neste dia, questões são colocadas em evidência e discussão, principalmente com relação à necessidade de um pré-natal adequado, a fim de evitar infecções ou apontar a possibilidade de procedimentos como cirurgia de cerclagem - uma espécie de barreira no útero -, e controle da hipertensão. Tudo para que alguns casos de partos prematuros possam ser evitados, já que estas são algumas causas que resultam em nascimentos antes do tempo.
Segundo o presidente da Comissão Nacional Especializada em Perinatologia da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Eduardo Fonseca, tem ocorrido um excesso de indicação de partos eletivos (programados), o que pode ter contribuído para o aumento do índice de prematuros no País. ''Os melhores diagnósticos e condições tecnológicas permitem a realização de partos em períodos que antes não era possível garantir a sobrevivência do bebê. Isso, porém, reforçou o conceito de que se há um mínimo desconforto à mãe e há meios para manter o bebê fora da barriga, é melhor tirá-lo antes do tempo, principalmente se tiver mais de 34 semanas. Definitivamente, não é. A gestação completa sempre será melhor'', defende.
Além do ônus psicológico, para Fonseca, o problema do exagero de indicação desnecessária acarreta altos gastos financeiros, levando-se em consideração que uma diária na UTI neonatal custa cerca de R$ 3 mil. ''É preciso utilizarmos formas para prolongar a gestação. Sabe-se, por exemplo, que o cólo do útero curto - a média de comprimento é de 36 mm, mas cerca de 5% das brasileiras possuem apenas 20mm - é um fator de risco para partos prematuros. Um estudo recente comprovou que o uso de progesterona vaginal neste casos diminui em 50% a chance de o bebê nascer antes da hora'', diz. Um método simples e muito barato: uma caixa para um mês custa, em média, R$ 40. Há ainda a possibilidade de uso de drogas tocolíticas que controlam e adiam o nascimento do bebê.
Tão importante quanto melhorar as formas de sobrevida dos prematuros, o presidente defende que a prevenção seja, essencialmente, uma preocupação dos programas de saúde. ''Considero três ações básicas para evitar a prematuridade: o MS adequar seus protocolos, a fim de torná-los mais seguros, melhorando as indicações de exames; todas as mulheres deveriam realizar, no mínimo, três ultrassons durante a gestação, sobretudo no primeiro trimestre; e orientação de planejamento familiar, mas não de forma voltada a evitar o filho, e sim na preparação para uma gravidez'', resume.
Tipos de parto
Conforme Fonseca, existem dois tipos de partos prematuros: os espontâneos e os eletivos. ''O primeiro é decorrente do trabalho de parto antecipado em consequência da contração do útero. Neste, não há muito o que fazer. Já o segundo, é programado devido ao resultado de alguma intercorrência diagnosticada, principalmente hipertensão da gestante, infecções não evitadas em função de pré-natal deficiente, como urinárias'', diferencia.
Além destas situações, Fonseca comenta que entre as principais causas que têm resultado em partos prematuros está a gestação em idades extremas (adolescentes ou maiores de 35 anos), aumento do uso das técnicas de reprodução e consequente gemelaridade, uso de álcool e drogas e, também, cesarianas agendadas sem trabalho de parto, além do estilo estressante da vida moderna, que libera alguns hormônios.
Dados no PR
No Paraná, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) informou que os índices permaneceram praticamente inalterados nos últimos seis anos, registrando a média de 6,97% de partos prematuros em relação ao total de partos. Em Londrina, o Hospital Universitário manteve a média de 40,5% de incidência de partos prematuros. Um índice acima de grande parte das instituições, mas compreensível, considerando que o hospital só realiza partos de risco e de alta complexidade.


