Nas cidades menores, cortesia é regra
O técnico em refrigeração José Câmara, de 46 anos, e o mecânico Ivan Minetto, de 29, acharam natural quando a repórter da FOLHA, interpelada pelos dois sobre a localização da Rua São Paulo, no Centro de Londrina, se ofereceu para fazer a gentileza de levá-los até o endereço. Moradores de Jardim Alegre (Vale do Ivaí), eles estranharam mesmo a situação vivenciada anteriormente, quando perguntaram sobre a rua para outro pedestre e ele só repondeu que ''era mais para frente''.
Apesar de estarem em cidade estranha e não conhecerem a interlocutora que os acompanhava pela Rua Sergipe, durante o trajeto conversaram animadamente sobre as compras que faziam em Londrina. Ao final de duas quadras, quando finalmente foram informados sobre o objetivo da reportagem, deram muitas risadas e garantiram que não acharam o comportamento estranho ou pouco usual. ''Lá em Jardim Alegre é sempre assim, porque todo mundo se conhece'', disseram, dando indícios de que, nas cidades menores, a gentileza é um hábito ainda cultivado.
Em Londrina, os dois visitantes estranham, na verdade, o estresse dos motoristas, a falta de educação dos motociclistas e o hábito de andar olhando para o telefone celular. ''Todos estão sempre ocupados com a própria vida. Falta tempo para a gentileza'', acredita Minetto, que defende uma maior convivência entre as pessoas para resgatar o hábito de ser gentil.
Câmara analisa que ''em Londrina falta tanta amizade entre as pessoas'' que os moradores precisam avisar os assaltantes que conhecem os vizinhos, através das placas de 'vizinho solidário'. ''Em Jardim Alegre os vizinhos são companheiros, não precisa por placa'', comparam.
A cortesia entre os moradores é tanta que, vez ou outra, Minetto oferece carona para os amigos que estão andando à pé pela cidade e recebe negativas. ''Eles explicam que não vão entrar no carro porque estão fazendo caminhada'', diverte-se. (C.A.)





