A realidade mostrada pelas pesquisas é confirmada por adolescentes de Londrina ouvidos pela FOLHA. Na casa de amigos ou em festas promovidas para facilitar o acesso dos jovens às bebidas, eles contam que muita gente consome álcool até perder os limites. "Não tenho nenhum amigo que não beba", garante o estudante de 16 anos que experimentou bebidas alcoólicas pela primeira vez aos 13 anos e manteve uma rotina de consumo esporádico até os 15, quando decidiu parar de beber em função do sonho de se tornar jogador de futebol.

Segundo ele, festas organizadas em chácaras alugadas, com bebida liberada mediante o pagamento do convite, são comuns na região. Por atraírem um público com menos de 18 anos, estas "cervejadas" costumam começar à tarde e terminar por volta das 22 horas. "Já fui a festas onde o único 'maior de idade' era o segurança", diz o rapaz, que apesar de frequentar estes eventos afirma ser comedido no consumo por medo de se tornar alvo de fotos e vídeos que acabam no Facebook.

Na fan page de uma festa do estilo - que já teve duas edições em Londrina -, as imagens de meninos e meninas em situações constrangedoras – disponíveis para quem quiser ver – comprova o relato do adolescente. Entre várias fotos de garotos e garotas com copos na mão, há disputas sobre quem bebe mais tequila, meninas apenas de sutiã saindo da piscina e garotos vomitando no chão por causa do consumo abusivo de álcool.

Outro adolescente de 16 anos ouvido pela Folha revela que experimentou cerveja pela primeira vez aos 12 anos. "Achei bem ruim, mas acabei acostumando", conta ele, que consumiu a bebida por influência dos amigos. "Queria evitar `zoeira´, ser chamado de careta...", diz. Apesar de garantir que conhece os próprios limites e para de beber quando percebe que está perdendo o controle, o garoto revela que nem sempre foi assim. "Quando eu era mais novo, bebia mais. Meu maior vexame foi ficar dançando em cima de uma mesa", recorda.

Ele afirma conhecer os riscos da bebida e, por ter um conhecido que morreu de cirrose hepática, teme o risco de tornar-se dependente. "Por isso, hoje em dia não abuso mais. Sei que beber demais faz mal." (C.A.)

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