O dekassegui O.T., 48 anos, de Maringá, voltou há uma semana do Japão depois de ficar quatro anos e meio trabalhando em uma indústria de alimentos na cidade de Mitsukaido, localizada a uma hora de Tókio. O. afirma que não recomenda a emigração em busca de trabalho no Japão. ‘‘Eu não retorno mais e nem aconselho quem deseja ir’’, ressalta o dekassegui.
Segundo O., o cenário do Japão está desolador, com complexos industriais, principalmente de equipamentos eletrônicos, fechados e em alguns casos até abandonados. Ele conta que depois que os Estados Unidos deixaram de investir no Japão, as indústrias se tranferiram para outros países. ‘‘Hoje você não vê mais produto eletrônico com a inscrição made in Japão’’, destaca.
O. alerta também que a emigração sem serviço garantido pode levar o dekassegui à ‘‘falência’’. ‘‘Se não tiver garantia ou algum parente já trabalhando por lá e melhor não ir’’, aconselha. O contou que antes de ir embora encontrou uma família de seis integrantes brasileiros que, sem trabalho, já havia acumulado uma dívida de US$ 20 mil em quarenta dias. ‘‘O mercado de trabalho está muito concorrido e quase não há mais vagas’’, diz.
Conforme O., o custo de vida está muito alto no Japão. ‘‘Um quilo de arroz custa US$ 14,00’’, diz. A média salarial mensal, lembra O., gira em torno de US$ 1,5 mil a US$ 2 mil, quase o mesmo valor para sobreviver ‘‘limitadamente’’ no país. O. acredita que a ida de brasileiros para o Japão não dura mais que dois anos. ‘‘O país só não está perdido porque o poder público tem muito capital acumulado, mas até isso um dia vai acabar’’. (M.M.)

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