Foi por um casal de amigos, que morava nos Estados Unidos, que a empresária de 67 anos, Diva Bulgacov e o marido ficaram sabendo da possibilidade de documentarem suas vontades em caso de fase terminal. Em 2009, realizaram, portanto, seus testamentos vitais naquele país. ‘‘Se for para viver, quero ter qualidade de vida. Não quero uma vida que não possa fazer nada, ficar presa numa cama ou mantida por máquinas e dar ‘trabalho’ à família. Quero viver enquanto tiver consciência e ser autossuficiente para tomar decisões’’, argumenta.
  Para ela, a resolução do CFM é um avanço da sociedade, pois todos deviam pensar na morte de maneira mais tranquila e racional. ‘‘Acho que até mesmo os jovens deveriam documentar sua vontade. É bom para todo mundo: para a equipe médica, para os familiares, além de aliviar o sistema de saúde’’, enumera. Essa consciência, segundo Diva, vem de experiências vividas com a doença da mãe. ‘‘Vi minha mãe sofrendo por conta de um câncer e não desejo isso para ninguém. Na época não havia os tratamentos que existem hoje, nem mesmo os cuidados paliativos para uma morte sem dor.’’
  O documento da empresária tem várias páginas detalhando uma série de itens, como doação de órgãos e o que deve ou não ser feito em caso de doenças e estado incapacitante ou terminal. ‘‘Para quem fica é muito difícil tomar uma decisão pelo ser amado. Quero que a minha vontade seja respeitada e nenhum familiar fique se sentindo culpado.’’ O testamento, ainda que tenha sido registrado em cartório, não tem valor no Brasil, mas ela já está providenciando a tradução juramentada. ‘‘Pretendo fazer isso ainda este ano’’, revela. (M.T.)

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