Do simples hábito de contemplar o céu às mais recentes pesquisas científicas que visam descobrir vestígios de existência de vida em outros planetas, a curiosidade do homem sobre os mistérios do Universo perpassa toda a história da humanidade.
No cinema, entre tantos outros títulos, o tema foi imortalizado pelo filme ET, de Steven Spielberg, que este ano completa três décadas. Fora das telas, os ufólogos defendem que os supostos avistamentos de Objetos Voadores Não Identificados, os OVNIs, seriam a prova concreta de que nós, terráqueos, não estamos sozinhos no Universo. Além disso, místicos associam a presença dos extraterrestres a experiências em outras dimensões, normalmente ligadas à evolução do ser humano.
Concretamente, a pesquisa científica busca identificar - fora do sistema solar - planetas que ofereçam condições para existência de qualquer tipo de vida. Conforme o professor Gilberto Carlos Sanzovo, da área de Astrofísica da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e que coordena o Planetário da instituição, há quase 800 planetas conhecidos. Os cientistas, porém, ainda não conseguiram encontrar entre eles condições atmosféricas com presença de gases ozônio e metano, que seriam indicativos da presença de vida tal qual conhecemos.
''A maioria dos planetas são enormes e gasosos'', afirma, ressaltando que o interesse dos cientistas está nos planetas telúricos, ou seja, menores e rochosos, como a própria Terra. ''Procuramos 'assinaturas' espectrais que revelem a presença de microorganismos capazes de produzir esses gases, mas ainda não houve identificação dessas condições'', comenta Sanzovo.
Os resultados mais atuais indicam apenas a existência de ''super Terras'', que seriam planetas parecidos com o enorme Júpiter, onde há produção anaeróbia (sem vida) de metano e amônia. Para o professor, o planeta Terra estava ''no lugar certo, na hora certa e na órbita certa'' no momento da criação do Universo.
Marte, por exemplo - onde aparentamente já houve rios e chuvas -, é pequeno e, além de ter sofrido congelamento que extinguiu qualquer tipo de vida, não foi alvo de colisões de meteoritos que trouxeram muita água à Terra. ''De certa forma, a vida no nosso planeta veio do Espaço'', considera, lembrando que a mesma pode ter se iniciado e extinguido muitas vezes antes de consolidar-se.
A pesquisa científica enfrenta enormes desafios no que diz respeito à busca pela vida em outros planetas. Tentativas de ''contato'' por sinais de rádio já foram feitas, mas, diante da distância a ser percorrida pelas ondas, podem se passar séculos até que elas encontrem uma possível civilização que consiga decodificá-las e mandar uma resposta. Além disso, os instrumentos disponíveis precisam melhorar e muito. ''Da época de Galileu Galilei até hoje, passaram-se quatrocentos anos e a resolução aumentou apenas dez vezes'', diz.
Sobre os OVNIs, ele não tem dúvida de que existem. ''Se você olha para o céu e vê um objeto que não consegue identificar, seja por condições de observação ou de tempo, chamamos de OVNI'', ensina. ''Balões meteorológicos, satélites, aviões, estrelas brilhantes, meteoros e planetas estão entre os OVNIs mais avistados'', exemplifica, lembrando que para a maioria dos avistamentos há explicações concretas.
Segundo Sanzovo, quatro teorias explicam relatos sobre objetos desconhecidos. A primeira é a existência de projetos ultra secretos de governos que fazem testes com aeronaves. Também existe a possibilidade das pessoas avistarem objetos realmente não conhecidos, ''o que não significa que sejam extraterrestres''. Portadores de doenças psíquicas podem ser responsáveis por outra parte dos relatos. ''Por fim, infelizmente, há muitos charlatões que exploram o tema para se aproveitar da boa fé das pessoas'', defende. No entanto, ele próprio não exclui a possibilidade de haver vida em outros planetas. ''Pode até ser que exista, afinal, o Universo é muito amplo.''

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