'Nada justifica o excesso de velocidade'
Em menos de meia hora, 44 motoristas flagrados em excesso de velocidade no trecho urbano da BR-369, na Avenida Tiradentes. Esse foi o saldo contabilizado pelo policial rodoviário federal Noirton Aparecido Sborquia em um curto período de tempo na tarde da última quinta-feira. Posicionado em frente ao Moinho Dona Benta, em um trecho de muito movimento e entre dois semáforos, ele utilizou um radar para identificar os "apressados" que transitam pela via. A reportagem da FOLHA acompanhou a operação e pôde constatar que o excesso de velocidade faz parte da rotina da via.
O volume de infrações não surpreendeu o policial, que afirmou flagrar rotineiramente muitos motoristas trafegando acima da velocidade permitida. No trecho patrulhado, a maior parte das infrações supera em até 20% o limite de 70 quilômetros por hora, com tolerância de 10%. Noirton, entretanto, já flagrou uma pessoa dirigindo a 150 quilômetros por hora no local durante a tarde. "Alguns motoristas não têm consciência dos riscos", avalia.
Responsável pela fiscalização na região abrangida pela delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Londrina, que totaliza aproximadamente 700 quilômetros de rodovias, ele está acostumado a ouvir os argumentos dos motoristas que retornam ao local onde o radar está posicionado para justificar o excesso de velocidade quando percebem que foram flagrados. "Eles argumentam que os carros atuais são muito rápidos, que se distraíram, que estão com pressa. Mas a verdade é que nada justifica o excesso de velocidade", diz.
O policial explica que o radar é lacrado, impossibilitando o acesso do operador aos dados registrados. Por isso, não adianta voltar e tentar convencê-lo a desconsiderar a infração. "Depois que o radar capta o excesso de velocidade, não tem mais jeito, a informação fica guardada."
A experiência de Noirton mostra que a adoção do radar na região trouxe redução nos acidentes graves nas rodovias federais. Ele observa, entretanto, que as multas ainda são baratas diante do risco de acidentes provocados por excesso de velocidade. Por isso, defende que o valor seja elevado. "Quem excede até 20% paga R$ 80,00. Esse valor não assusta os proprietários dos carros mais caros, que são também os mais velozes", critica.
Ao contrário do que muitos motoristas pensam, a PRF não esconde o radar durante as operações de fiscalização. O policial trabalha com o equipamento e a viatura expostos para indicar aos condutores que o trecho está sendo fiscalizado. Dessa forma, muitos motoristas reduzem a velocidade simplesmente por avistarem o carro. "Além disso, é uma forma de mostrarmos às pessoas que as rodovias estão sendo fiscalizadas", explica. (C.A.)





