Na PEL 2, o medo de ser a bola da vez
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sábado, 30 de agosto de 2014
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
A fila de espera para visitar parentes presos na Penitenciária Estadual de Londrina 2 (PEL 2) ontem pela manhã estava cheia de tensão. Assustadas pela rebelião em Cascavel, as mães, irmãs e esposas dos detentos que aguardavam para entrar no presídio não descartaram a possibilidade de haver uma rebelião também na unidade de Londrina. Segundo parentes ouvidos pela reportagem, a maioria dos presos vive em estado de constante insatisfação por causa das más condições de vida na penitenciária. "Com essa situação, não é difícil eles se revoltarem", disse uma mãe, que evitou até mesmo assistir notícias sobre a rebelião de Cascavel na TV. "Posso imaginar o que as famílias daqueles presos passaram", afirmou.
Os relatos de maus tratos são parecidos e envolvem, inclusive, casos de agressão física. Comida azeda, jantar servido muito cedo, o que deixa os detentos com fome à noite, banho na água fria mesmo no inverno e a dificuldade para entregar as sacolas de comida - chamadas jumbo - para os parentes são recorrentes. A maior reclamação, entretanto, é com relação à falta de cuidados médicos. Segundo as visitantes ouvidas pela reportagem, os detentos ficam doentes, sentem dor e mal estar, mas não recebem cuidados adequados.
"São poucos médicos para atender todo mundo. Além disso, é impossível sair para fazer exames", relatou a esposa de um homem que sofre de doença respiratória crônica e só conseguiu sair do presídio uma vez, em cinco anos, porque desmaiou na cela. "Depois entregaram um exame dizendo que ele tinha câncer. Mas na verdade era de outra pessoa, eles erraram", lamenta.
A avó de um rapaz preso após cometer crimes durante um surto psicótico, afirma que ele recebe atendimento de uma psicóloga. Em um ano, porém, nunca recebeu atendimento de psiquiatra ou medicamentos para controlar o problema. O acesso a remédios básicos, como analgésicos, também é difícil. "Quando tem visita e a gente reclama na assistência social eles arrumam. Mas depois volta ao que era antes", denuncia outra esposa, lembrando que os familiares estão assustados, atualmente, com o caso de um detento que morreu de tuberculose na semana passada.
Outra denúncia repetida por várias familiares de presos é a humilhação a que são submetidas na revista íntima. Apesar da PEL ter recebido um detector de metais para evitar o procedimento de deixar as mulheres nuas e agachadas sobre um espelho, elas afirmam que o equipamento não é usado com todas. "As agentes que decidem quem vai passar pelo detector. A gente continua tendo que tirar a roupa", reclamou uma mulher. Para elas, o constrangimento maior é quando estão menstruadas. "É muito humilhante, não somos tratadas como seres humanos."
A revista de crianças também incomoda as mães, que muitas vezes preferem nem levar os filhos para verem os pais. "Tem que tirar a meia, a calça e a fralda. Não gosto de expor minha filha deste jeito."


