O salário inicial em torno de R$ 1 mil não é suficiente para atrair trabalhadores para a indústria metalúrgica em Londrina. De acordo com Valter Orsi, presidente do Sindimetais, que representa as indústrias metalmecânicas na região, mesmo as pessoas que buscam oportunidades de primeiro emprego ou sem qualificação - e que se sujeitariam ao salário oferecido - estão preferindo as vagas ofertadas pela construção civil que, segundo ele, paga melhor porque não enfrenta concorrência de outros países.
''Nosso desafio é manter os ingressantes. Por isso, oferecemos capacitação para que eles consigam ganhar melhor dentro do próprio setor'', explica. Hoje, a região de Londrina tem aproximadamente mil indústrias que empregam quase 20 mil metalúrgicos. Para conseguir novos trabalhadores, esses empregadores não podem ter muitas exigências. ''Empregamos gente sem qualquer preparo e capacitamos dentro das empresas'', enfatiza.
O soldador Devanir Carmo da Silva, de 30 anos, é um exemplo de metalúrgico que entrou na indústria sem saber nada e se tornou profissional. Na Indusfrio há oito anos, ele começou como auxiliar de marceneiro, mas, por ter facilidade para aprender, ''pegou o jeito de trabalhar'' e obteve algumas promoções.
''Meu sonho era ser soldador. A empresa me pagou um curso no Senai e hoje sou reconhecido como um bom profissional. Também estudei gestão e processo industrial e agora quero fazer faculdade'', planeja ele, que comemora as conquistas também na vida pessoal. ''Tenho carro, estou pagando um terreno e um consórcio para construir minha casa, que será um sobrado.''
Cristian da Silva, de 34 anos, trabalhou dois meses no setor de carga e descarga de caminhões, mas pediu demissão para trabalhar como auxiliar de montador na Indusfrio. Com ensino fundmental completo, ele planeja voltar a estudar ''para crescer na profissão''. ''Este trabalho está ótimo. Além do salário, recebemos bônus quando não faltamos'', explica ele, que não encontra dificuldades para encontrar empregos nesta área. (C.A.)

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