NA ATIVA Envelhecimento da população influencia mercado de trabalho
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sábado, 16 de junho de 2012
Fábio Galão <br> Reportagem Local 
Armando de Jesus, de 65 anos, trabalha como taxista em Londrina. ''Me aposentei e continuei trabalhando. Senão a renda ia ficar muito baixa'', justifica. ''Vejo muita gente (nessa faixa etária, que continua trabalhando), e pelo mesmo motivo. Quem é 'bem' aposentado não precisa esquentar a cabeça. Tenho um irmão de 85 anos, sitiante em Santa Cecília do Pavão (Norte Pioneiro), que ainda trabalha.''
O comerciante Renato Barbosa, de 87 anos, trabalhou como caixeiro-viajante e funcionário do Ministério da Guerra. Quando se aposentou, há mais de 20 anos, decidiu abrir uma loja de brinquedos no Centro de Londrina. ''Não preciso trabalhar. Trabalho como terapia ocupacional'', explica.
Preservadas as peculiaridades de cada caso, relatos como esses estão se tornando mais comuns no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que na década passada o número de idosos no mercado de trabalho do País aumentou acima da média nacional.
Em 2001, aproximadamente 4,6 milhões de brasileiros com idade superior a 60 anos estavam trabalhando. No final da década, o número havia passado para 6,2 milhões. Esse crescimento, de 34%, é bem superior ao aumento geral do nível de emprego da população brasileira no período, que foi de 21%.
Solange Kanso, pesquisadora do Ipea, relata que atualmente os homens trabalham, em média, três anos além da idade mínima exigida para aposentadoria, e as mulheres, quatro anos a mais. Ela aponta duas razões que podem contribuir para essa permanência: a legislação brasileira, que permite que a pessoa se aposente e continue no mercado de trabalho, ao contrário do que ocorre em outros países, e o aumento da expectativa de vida. ''A população está envelhecendo com melhor qualidade de vida, e se sente estimulada a continuar trabalhando'', explica.
A pesquisadora aponta que a tendência é uma presença cada vez maior de idosos no mercado de trabalho, já que a proporção de pessoas com mais de 60 anos de idade na população brasileira vai continuar crescendo. ''Em 1941, elas representavam 4% da população. Hoje, são 11%. Em 2040, devem representar perto de 30%'', descreve Solange.
O envelhecimento do mercado de trabalho e da população em geral vai exigir mudanças. ''Determinadas políticas terão que ser repensadas, como a saúde ocupacional. Outra questão é que a saída do mercado de trabalho pode acarretar depressão, alcoolismo e até o suicídio, já que o trabalho está diretamente ligado à vida social. Esses problemas podem gerar impactos na previdência social'', alerta a pesquisadora.


