Mutirão reduz fila para cirurgia de catarata
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de junho de 2001
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
Uma iniciativa do Ministério da Saúde e outra da Prefeitura de Londrina com apoio do trabalho voluntário de oftalmologistas estão diminuindo a fila para consultas e operações de catarata pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A cirurgia é o único recurso médico que cura o paciente. É uma intervenção simples, com anestesia local, na qual é implantada uma lente intraocular que substitui o cristalino e devolve a visão completa ao paciente em um mês.
Em Londrina, os pacientes em estágio mais avançado da doença que procuram os postos e fazem teste preliminar de acuidade visual são examinados em 30 dias e 15 dias depois sofrem intervenção cirúrgica. Em fevereiro, o ciclo entre o agendamento da consulta e a cirurgia era de oito meses, segundo informações da Diretoria de Ações em Saúde (DAS), divisão da Autarquia do Serviço Municipal de Saúde.
A redução do tempo de espera está relacionada a dois fatores. O primeiro foi uma auditoria realizada pela autarquia municipal entre os 13 mil pacientes que aguardavam vaga no sistema. De acordo com o DAS, foram remanejadas consultas as mais urgentes passaram a ter preferência em contato telefônico paciente a paciente, além de ser verificado com antecedência quais deles já haviam realizado a consulta por outro meio ou desistido.
Um levantamento do DAS mostrou que de 20 a 30% das pessoas que agendam não comparecem à consulta. Em um mês atípico, como foi maio, o percentual de desistência chegou a 50%. No final de maio, o número de pacientes na fila foi reduzido para pouco mais de 4 mil. Destes, um quarto são pacientes com problemas visuais mais graves, que são separados em uma triagem.
Outro fator que facilitou o processo para se chegar à cirurgia foi a bem-sucedida Campanha Nacional de Prevenção à Cegueira - Programa Catarata, do Ministério da Sa© úde. Estão sendo realizados mutirões em 70 municípios paranaenses desde maio de 1999. Cerca de 200 profissionais da Associação Paranaense de Oftalmologia (APO) trabalham em turnos extras nos estabelecimentos credenciados. O SUS paga R$ 2,54 pela consulta.
Outra distorção detectada pelo Ministério da Saúde foi a situação desfavorável dos municípios em gestão semiplena (cujos recursos do ministério passam pelo governo do Estado antes de chegar aos municípios). Geralmente, menos populosos, estes municípios perdiam investimento e agilidade operacional com a triangulação.
Desde o ano passado, os recursos para a cirurgia de cataratas vêm através de um fundo especial criado para procedimentos de alta complexidade, repassado diretamente às prefeituras, o que acelerou o ritmo das cirurgias. Em 1999, foram 140 mil cirurgias em todo o País. Em 2000, o número saltou para 220 mil.
O Hospital de Olhos de Londrina teve ampliada sua cota mensal de consultas pelo SUS de 2,1 mil para 4 mil. O hospital recebe pacientes carentes de 60 municípios do Norte do Estado. O estabelecimento é responsável por 90% das cirurgias de catarata realizadas na cidade. Em média, 100 pessoas são operadas por mês pelo SUS. Nosso hospital tem uma função social muito importante, principalmente para pacientes que vem de cidades cujos recursos médicos são limitados, diz o oftalmologista e diretor Nobuaqui Hasegawa.
Além do Hospital de Olhos, outros dois hospitais da cidade realizam o procedimento gratuitamente: o Hospital da Zona Norte e o Hospital Universitário. Após a cirurgia, o paciente faz quatro revisões e em um mês é liberado. Londrina é uma cidade muito bem-servida neste campo, com ótimos profissionais que garantem uma ótima qualidade para o tratamento, acredita Hasegawa.
A catarata embranquecimento exagerado do cristalino (menina dos olhos) ataca quase que exclusivamente pessoas com mais de 50 anos e é considerada a maior causa de cegueira tratável. No mundo, dados de 1999, são 4 milhões de doentes. No Brasil, 200 mil.


