Municípios investem em radares fixos para coibir abuso de velocidade
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domingo, 19 de janeiro de 2014
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
As autoridades municipais de trânsito, que fiscalizam as áreas urbanas, também estão contra os apressados. Em Curitiba, cidade cuja frota representa quase 22% do total de veículos do Estado, a média diária em 2011 era de 513 multas. Em 2013, o índice diário chegou a 641, um aumento de 24,9%. A estrutura de radares da capital é a mesma desde o início da década, embora à frota tenha se somado quase 150 mil veículos no período (alta de 12%).
Nas principais cidades do interior, os autos de infração contra quem pisa muito no acelerador, da mesma forma, são cada vez mais frequentes.
Em Maringá, onde circula a terceira maior frota do Estado, o crescimento é exponencial: passou de uma média diária de 159 multas em 2011 para 240 em 2013, segundo levantamento da FOLHA com base nos dados divulgados pela Secretaria Municipal de Trânsito e Segurança (Setrans). O ritmo acelerado de crescimento - mais de 50% em dois anos poderia se tornar ainda mais veloz com o aumento do número fixo de radares, que no ano passado saltou de 20 para 28, além da manutenção de sete equipamentos portáteis. No entanto, a administração municipal decidiu nesta semana implantar uma nova estratégia no combate à direção perigosa, adotando a advertência por escrito ao invés da multa no caso do motorista cometer uma infração leve ou média. A alternativa é prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro que, contudo, só garante o direito a quem não cometeu infração nos últimos 12 meses.
Na área urbana de Cascavel, que tem a quarta maior frota do Estado, o número de multas por excesso de velocidade teve um acréscimo de 19% no ano passado, alcançando 54.781 infrações, ou 150 multas por dia. Conforme José Valdecir Martins, gerente da divisão de Fiscalização da Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito (Cettrans), os motoristas ainda estão se adaptando à rede de 24 radares fixos espalhada pela cidade. No primeiro ano, mais de 70 mil infrações por velocidade inadequada foram registradas na cidade. No ano seguinte, a queda foi acentuada, para cerca de 46 mil multas na área urbana. Em 2013, no entanto, a quantidade de autuações voltou a crescer. "O cenário ainda é de desobediência à sinalização e somente a conscientização pode mudar isso", afirmou Martins.
Em Ponta Grossa, quinta maior frota do Estado, são 14 radares registrando a velocidade dos veículos na área urbana, estrutura gerenciada pela Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte (AMTT). Das grandes cidades do interior, foi a única que apresentou um crescimento vegetativo (semelhante ao aumento da frota) desde 2011, com índice de 4,85% no período. Eder Kawa, do corpo técnico da AMTT, explica que a pequena oscilação se deve ao aumento gradual no número de radares e no número de pontos monitorados.
Londrina, que abriga a maior frota do interior, tem uma situação diferente das outras três grandes cidades do interior. O número de multas por excesso de velocidade na cidade 37.132, ou 101 por dia é o menor entre as quatro. Ainda assim, foi 42% maior do que o volume registrado em 2012.
A cúpula da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) admite que a estrutura de fiscalização é acanhada demais para o tamanho da cidade. De acordo com a companhia, são apenas quatro radares móveis e 49 agentes. "Precisaríamos de pelo menos 50 pontos fixos de fiscalização e um número quatro vezes maior de fiscais", admite o presidente da companhia, Carlos Alberto Geirinhas.
Ele descartou qualquer incremento na fiscalização este ano, quando a companhia está adotando uma política de austeridade para sair do deficit milionário registrado no ano passado. Geirinhas esclareceu que a receita com as multas é insignificante para o orçamento da empresa, devido aos gastos operacionais da fiscalização e dos gastos postais. Além disso, parte do que é arrecadado é repassado para órgãos estaduais e federais.
O diretor de trânsito da CMTU, Arnaldo Sebastião, disse que os gastos com a aquisição de radares não é uma demanda prioritária para a companhia. Ele disse que prefere o sistema com radares portáteis e que não recomendaria a instalação de uma grande rede de pontos de controle fixo. "Em alguns casos, o radar fixo funciona muito bem, mas na minha opinião deve predominar no sistema de fiscalização os equipamentos portáteis porque são mais efetivos", comparou.


