O paranaense Romildo Maia de Souza, 38 anos, é um exemplo de brasiguaio que conseguiu terra, riqueza e ainda poder político no Paraguai. Eleito prefeito de San Alberto, localizada no departamento de Alto Paraná, a 88 km de Foz do Iguaçu, o fazendeiro encerra o mandato esse ano, depois de governar, durante cinco anos, um município onde 80% da população são brasileiros.
De origem simples, a família Maia saiu de Umuarama em 1968 na esperança de conseguir terras no Paraguai. O primeiro sítio comprado pelo patriarca João Maia tinha 17 hectares. Atualmente, Romildo comanda duas fazendas (uma com 1.500 e outra com 500 hectares) e empresas comerciais em diversos setores (cerealistas, supermercado, posto de combustível e até uma rádio local).
Apesar das dificuldades enfrentadas pelos brasiguaios, Maia se diz totalmente integrado à sociedade paraguaia e lembrou que jamais sofreu retaliações políticas por parte do governo federal.
A alta concentração de brasileiros (cerca de 20 mil habitantes são imigrantes) tem inibido manifestações de campesinos na região. Em julho de 1999, o prefeito Romildo Maia de Souza e 12 funcionários municipais ficaram impedidos por um grupo de campesinos circular na principal praça da cidade e de despachar no prédio da prefeitura, cercado e fechado pelos manifestantes.

O movimento dos campesinos pedia a intervenção federal no município ou a renúncia do prefeito, acusado por vereadores oposicionistas de desvio de recursos e má administração. As acusações nunca foram comprovadas.
Em outras cidades do país, no entanto, diversos confrontos entre brasiguaios e campesinos foram registrados nos últimos dois anos. (E.D.)

mockup