Se há quem prefira manter-se longe das redes sociais, há quem as utilize para tudo, inclusive para cometer excessos. Há alguns meses, um vídeo produzido na Bélgica e postado no YouTube, chamado ''Amazing mind reader reveals his 'gif''' (Incrível leitor de mentes revela seu 'dom'), serviu de alerta para quem não tem o costume de filtrar informações íntimas.
Para que o vídeo fosse produzido, pessoas aleatórias foram convidadas a participar de uma experiência intrigante: sob uma grande tenda, o ''leitor de mentes'' olhava para os participantes e começava a revelar informações sobre elas, que vão do valor gasto com roupas no último mês até o nível de endividamento no banco. Bastante surpresos, os participantes ficavam sabendo, logo em seguida, que todos aqueles detalhes de suas vidas pessoais estavam disponíveis na internet, e que os auxiliares do suposto homem de poderes paranormais, à frente de computadores, é que lhe passavam as informações.
A psicóloga Cíntia Barbizan confirma que além de os perfis presentes nas redes sociais nem sempre representarem a realidade, há casos em que suscitam uma exposição extrema, por meio de descrições detalhadas do que a pessoa faz, dos lugares que frequenta, das bandas favoritas, gostos etc. ''É preciso manter o equilíbrio entre tentar não mentir sobre si, mas também não expor demais a vida pessoal e profissional, pois não se tem total controle de quem acessa essas informações e o que pode ser feito com elas'', recomenda Cíntia.
Quanto aos efeitos do uso excessivo das redes sociais sobre os internautas, a psicóloga e psicopedagoga Carina Paula Costelini, especialista em Análise do Comportamento, observa que embora existam diversas pesquisas atualmente mostrando que isto pode aumentar os níveis de ansiedade, não há uma relação direta de causa-efeito entre ambos. ''O que se observa é que, assim como várias outras situações específicas, as redes sociais podem intensificar a ansiedade de pessoas que já apresentam esse padrão. Por outro lado, sendo usadas de forma ponderada, elas podem servir como uma importante ferramenta de desenvolvimento de comportamentos positivos, como habilidades sociais, tolerância à frustração e resolução de problemas, entre outros.''
Já para sociólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB) Marcello Barra, integrante do grupo de pesquisa Ciência, Tecnologia e Educação na Contemporaneidade, o grande mérito das redes sociais está em proporcionar uma liberdade que normalmente as pessoas não têm na convivência pessoal e nas suas relações de trabalho. Isto explicaria o sucesso do Facebook, que em menos de 10 anos de criação já arrebanhou 1 bilhão de participantes.
''Vivemos em uma sociedade bastante castradora, que exerce um controle sobre a vida dos indivíduos, e a internet possibilita que eles se expressem como verdadeiramente são'', defende Barra. Diante desta nova sensação de liberdade, o pesquisador acha improvável um movimento de abandono do Facebook, e sinaliza apenas para a possibilidade de um menor crescimento no número de usuários nos próximos anos. ''É um caminho sem volta'', atesta Barra.

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