MUNDO ANIMAL - Destino incerto para pets mortos
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de maio de 2013
Marian Trigueiros e Silvana Leão <br>Reportagem Local 
Enquanto o número de bichos de estimação só cresce no País e os laços afetivos estabelecidos com seus donos ficam cada vez mais intensos, determinados serviços na área não evoluem com a mesma rapidez. É o caso daqueles relacionados à destinação adequada de animais mortos. Na maioria das cidades brasileiras não é oferecida outra opção aos proprietários se não enterrar seus pets no próprio quintal, em terrenos baldios, encaminhá-los para incineração ou mesmo descartá-los em aterros sanitários. Nem sempre, porém, estes são os caminhos mais adequados.
No Paraná, com exceção de municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), não há cemitérios públicos e privados de animais. Os dois crematórios existentes no Estado também ficam na RMC - um em Colombo e outro em Pinhais. Só em Londrina, tomando por base levantamento realizado em 2009 pela Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sidan), intitulado Radar Pet, existiriam 84,2 mil animais domésticos. O estudo apontou que, na época, havia 32 milhões de animais domiciliados no Brasil, sendo 25 milhões de cachorros e 7 milhões de gatos. Para uma população de cerca de 190 milhões de habitantes, era praticamente um animal de estimação para cada seis pessoas no país.
Atualmente estes números podem ser ainda maiores, mas, paradoxalmente, a falta de locais para destinar os bichos mortos permanece. Abandonar o corpo em fundos de vale, com entulhos, ou jogar no lixo são alternativas proibidas por lei e ambientalmente incorretas por resultar em inúmeros problemas de contaminação e, portanto, de saúde pública. Porém, são práticas mais comuns do que se imagina e até agora ignoradas pelas políticas públicas em Londrina, que ainda arrasta a elaboração do projeto de implantação do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).
Causa da morte
Enterrar é permitido, mas tudo vai depender da forma como o animal morreu. De acordo com a médica veterinária Patricia Mendes, docente do Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), se for em decorrência de causas naturais ou acidentes, como atropelamentos, o corpo pode ser enterrado em locais apropriados, longe de lençóis freáticos ou plantações.
''Não há problema de enterrar no terreno da família seguindo estas e mais algumas orientações. Já aqueles que morreram de doença infectocontagiosas, como a raiva, a recomendação é que sejam incinerados, pois podem contaminar o solo, a água e causar doenças'', alerta.
Tanto que para a obtenção de alvará para um cemitério de animais é preciso seguir todas as regras de um humano. As normas são tão rígidas que os cemitérios abertos no passado, na região de Londrina, foram interditados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
Nas ruas
Em nota, a assessoria de imprensa da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina informou que os animais mortos de pequeno porte encontrados nas vias da cidade são recolhidos pela MM, empresa terceirizada que presta serviço de limpeza, e levados para a Central de Tratamento de Resíduos (CTR), onde são enterrados. ''Já os animais mortos de grande porte são recolhidos pela CMTU, que os enterra em local próximo (área municipal), onde o animal foi encontrado. Os casos de animais mortos nas avenidas e rodovias estaduais e federais são de responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e da concessionária Econorte.''
De acordo com Walmor Venturini, médico veterinário da Vigilância Sanitária de Londrina, a falta de uma política pública municipal dificulta a implantação de um código social para a conduta da população e da própria administração do município, bem como de uma fiscalização. ''Não dá mais para cada pessoa continuar resolvendo à sua maneira. Quem pode pagar manda cremar ou incinerar. Quem tem um terreno, enterra. Enquanto isso, muitos jogam no lixo'', afirma. A melhor alternativa para os animais recolhidos pela CMTU seria a incineração, já que nem sempre a causa da morte fica evidenciada.
Ainda em fase de elaboração, Venturini garante que o projeto do novo CCZ vai contemplar um espaço destinado à incineração. ''Os animais que morrem em decorrência de alguma doença infectocontagiosa, pela legislação, devem ser incinerados. A ideia inicial é que o local possa atender grande parte da população'', adianta, acrescentando que, além de toda estrutura voltada ao controle de zoonoses, como dengue, o projeto do centro prevê uma Unidade de Saúde Animal (USA) para controle populacional específico de cães e gatos, guarda responsável e adoção.
Leia também:
Primeiro e único cemitério de animais do Estado existe há 13 anos
Cremação ganha confiança de donos
Eternizar a memória do animal
Pensar hoje nas soluções para o futuro
Locais apropriados


