Multidão cosmopolita aguardava a ferrovia
"O caminho de ferro, entre nós, foi um criador de cidades; e até que estas se desenvolvessem pela (...) expansão das propriedades agrícolas, tiveram os trens de correr para buscar o café no interior através de pequenos núcleos urbanos e de grandes extensões inexploradas e solitárias", definiu o sociólogo e historiador Fernando de Azevedo as ferrovias no contexto da cafeicultura.
Consta em "Um trem corre para o Oeste", sobre a Noroeste do Brasil, mas que se aplica perfeitamente ao Norte do Paraná e serve para que se estabeleça o paralelo Bauru/Londrina.
No trecho paulista da Noroeste "é Bauru que nascia na boca do sertão (...) em 1905 e passou de 600 para 8.000 almas em três anos e já em 1940 contava 32.785 habitantes; é Birigui que, fundada em 1911, já era em 1940 sede de um município cuja população atingia 42.912 unidades e que se considerava o maior produtor de cereais da região" [noroeste paulista].
Menos de um ano após a chegada do trem, há 10 mil habitantes no município de Londrina, dos quais 3.305 na cidade, "segundo o recenseamento ultimado em 30 de março de 1936", noticiou o Paraná-Norte (edições de 19 e 26/4/36). "A cidade de Londrina tem, neste momento, 3.305 habitantes distribuídos entre 690 famílias, sendo: brasileiros 2.655, italianos 129, alemães 126, espanhóis 100, portugueses 85, japoneses 84, russos 27, poloneses 23, sírios 22, tcheco-eslovacos 22, húngaros 11, austríacos 10, suíços 5, ingleses 3, norte-americanos 3. Maiores de 18 anos 1.849, de 15 a 18 anos 163, de 6 a 14 anos 720. Menores de 6 anos: 573."
Em 1940, são 70 mil habitantes no município, dos quais 10 mil urbanos, distinguindo-se a "multidão cosmopolita" (cosmopolitan crowd) como a que Arno S. Pearse encontrou em 1924 em Birigui e fez constar no relatório da missão inglesa do algodão. Um "encontro de raças e culturas para implantar a prosperidade", segundo Azevedo.(W.S.)





