O capitão Gustavo Hauenstein, comandante da 2 Companhia da Polícia Rodoviária Estadual, aponta que, além do crescimento da frota, uma explicação para o aumento das autuações é a maior fiscalização exercida pelas autoridades de trânsito.
''Com o crescimento do número de acidentes nos últimos anos, começamos a tomar atitudes mais radicais, a orientar menos e autuar mais. Muitos condutores não têm consciência. Se enxergam um radar, vão respeitar a velocidade apenas naquela região, e depois vão voltar a exceder o limite'', diz o comandante.
Hauenstein explica que o esgotamento do trânsito nas cidades gera influência nas estatísticas de infrações. ''Com mais veículos circulando, a engenharia de trânsito não consegue acompanhar o crescimento da frota. Além do apelo do mercado, da maior facilidade para adquirir um veículo, faltam estímulos para o uso do transporte público e de alternativas, como a bicicleta. São gerados grandes congestionamentos, que levam o motorista ao estresse. Para não se atrasar em algum compromisso, para buscar o filho na escola, ele passa a desrespeitar a legislação: fura o sinal, corre mais para tirar o atraso'', afirma.
Ele ressalta que as infrações registradas nas estatísticas oficiais dizem respeito somente às irregularidades que são flagradas pelas autoridades de trânsito. ''Garanto que são uma porcentagem muito pequena das infrações que realmente ocorrem'', aponta o comandante.
A psicóloga Julieta Arsênio, especialista em comportamento de trânsito, acredita que o poder público tem enfatizado a punição nos últimos anos, o que ela considera um equívoco. ''Não acredito que multa vá resultar em mudança de comportamento. Se isso acontece, é com um percentual mínimo dos motoristas. Temos que educar, elogiar quem dirige direito, estimular o correto. Quem tem um filho e só pune, vai criar um delinquente'', critica.
Julieta argumenta ainda que as falhas na engenharia de trânsito das cidades acabam propiciando maior ocorrência de infrações. ''A falta de aprimoramento da engenharia de tráfego pode estimular os condutores a negligenciá-la. Duvido que em uma avenida com três limites de velocidade, como temos em Londrina, o motorista vai acertar sempre onde começa um e termina outro'', exemplifica a psicóloga. (F.G.)

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