Multa é arma cada vez mais usada na guerra contra a imprudência
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domingo, 19 de janeiro de 2014
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
O dissabor de pagar uma multa por excesso de velocidade está se tornando cada vez mais comum no Paraná. O aperto na fiscalização e a multiplicação de radares vêm marcando os primeiros anos desta década. De acordo com levantamento da FOLHA com base nos dados do Detran, um motorista infrator foi flagrado a cada 31 segundos cometendo a mais perigosa das infrações, segundo os especialistas.
Somente nos 11 primeiros meses de 2013, o montante arrecadado com a penalidade financeira alcançou R$ 96,8 milhões.
De acordo com dados do Detran, o número de multas por velocidade excessiva no Estado cresceu significativamente em todas as faixas nos últimos dois anos. Somadas as três faixas de infração, o número de multas avançou 32% nos três primeiros anos da década, passando de 702.225 para 927.443 autuações de janeiro a novembro do ano passado. Na média de multas por dia, o salto foi maior, de 44,3%, passando de 1.923 punições contra 2.776 no ano passado.
O maior crescimento ocorreu na forma gravíssima da infração, quando o motorista excede o limite do trecho em mais de 50%. Este tipo de infração teve um acréscimo de 64% desde 2011, passando de 13.928 autos de infração para 22.924 nos 11 primeiros meses de 2013. Se o cálculo for por média diária de multas, o aumento é ainda maior, de 79,8%, passando de 38,1% para 68,63%. Neste tipo de delito de trânsito, além da multa de R$ 574,60 e dos sete pontos de penalidade, o documento de habilitação é apreendido e automaticamente o motorista perde o direito de dirigir.
Nas outras faixas, a tendência de forte crescimento se mantém. Na faixa grave, mesmo comparando 12 meses com 11, a alta é de 43%. Se o cálculo for feito por média diária, a diferença de 2011 para 2013 é de 57,2%, passando de 299 para 470 autos por dia. Na infração grave, o motorista perde cinco pontos na carteira e é multado em R$ 127,69
Na faixa média, a realidade é a mesma. Entre janeiro e novembro do ano passado, foram lavradas 747.345 multas (média de 2.237,5 por dia) contra as 579.040 punições de 2011 (média de 1.733,6). No número absoluto, o crescimento foi de 29% em dois anos ou 41% na média diária. A infração média penaliza o motorista com a perda de três pontos na carteira e com multa de R$ 85,13.
O período em que ocorreu o "boom" coincide com a proliferação dos radares pelas estradas e nas principais áreas urbanas do Estado, exceto Curitiba, onde há estabilidade no número de ocorrência deste tipo e cuja estrutura de fiscalização é a mesma desde 2011.
A 2ª Companhia da Polícia Rodoviária Estadual, com sede em Londrina, que patrulha 2.404 quilômetros de estradas no Norte e no Norte Pioneiro tem hoje 13 radares, uma para cada unidade de fiscalização, além de mais dois equipamentos medidores móveis. Até 2012,a companhia dispunha de apenas três medidores de velocidade. Com a fiscalização adequada, o número de infrações teve um salto de impressionantes 523%, de 9.999 em 2012 para 62.308 multas em 2013.
Em toda a malha estadual, 12.160 quilômetros de rodovias, o boom se repete, com números ainda mais impressionantes. Passou de 35.334 multas em 2011 para 237.671 em 2013, alta de 572%. No mesmo período, a quantidade de radares cresceu 314%, de 14 para 63. Como comparação, de janeiro de 2011 a dezembro de 2013, a frota paranaense cresceu 21,5%.
O tenente March Jefferson de Mello Serpa, oficial porta-voz da Polícia Rodoviária Estadual, acredita que a tendência é que os usuários das rodovias se tornem mais cautelosos com a ampliação da capacidade de fiscalização do poder público. "Temos uma frota cada vez maior, mais moderna e mais rápida. Sem fiscalização, o motorista fica mais suscetível a cometer a infração", acredita.
"Chegamos a um número suficiente de radares. Agora temos que contar com a conscientização dos motoristas para que o número de infrações seja reduzido", afirmou.
Serpa explica que os trechos fiscalizados por radar são escolhidos com base em estudos técnicos, que levam em consideração locais críticos de acidentes por excesso de velocidade. "Nosso maior inimigo é a imprudência. Por isso, fazemos trabalhos de conscientização em escolas lembrando que um motorista obediente à legislação contribui para um trânsito com menos feridos e menos mortos", afirma. De acordo com o balanço de 2013, o número de acidentes na malha estadual caiu 3,1%, o número de feridos, também caiu, 9,3%, e o número de mortos ainda mais, 15,4%.
Serpa destaca que o grande número de multas é um alerta para o poder público que deve ficar atento aos cursos de formação, que precisam de padrões mais rígidos de exigência com o cumprimento ao limite de velocidade de cada trecho do futuro motorista.
Na malha federal, que concentra as principais rodovias do Estado, o número de multas cresceu 29,7% no ano passado, atingindo 482.766 infrações por excesso de velocidade. Na faixa gravíssima, o crescimento foi de 21%. Na faixa onde a infração por excesso de velocidade é considerada uma infração média, o aumento foi de 39,5%.


