MULHERES BANDIDAS - Pagando pelos erros
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sábado, 05 de maio de 2012
Rubens Chueire Jr. <br>Equipe da Folha 
Curitiba - Vinte noves anos de vida e um terço deles vividos dentro de uma prisão. Essa é a história de vida da detenta Ana (nome fictício), 29 anos, que cumpre pela por latrocínio na Penitenciária Feminina de Piraquara (PFP), no complexo penal localizado na Região Metropolitana de Curitiba.
Moradora de Sarandi, Norte do Estado, ela espera passar para o regime semi-aberto em junho. A jovem conta que junto com o ex-namorado e mais um amigo assaltava pedestres em sua cidade natal. Passando-se por garota de programa, ela abordava homens que eram surpreendidos pelos comparsas. Os crimes ocorreram quando ela ainda tinha 19 anos. ''A morte aconteceu quando a gente realizava o segundo assalto, uma semana após o primeiro. Na época não pensei em nada, estava com o namorado e confiava nele. Só agora, depois de tanto tempo presa, percebi que fiz a maior burrada da minha vida'', ressalta.
Ana trabalha como ajudante de faxina da penitenciária e, a cada dois dias de trabalho, diminui um dia de pena. ''Desde que cheguei 'mergulho' no serviço. Ainda sou nova mas já passei dez anos presa. Com o trabalho, além de não pensar besteira, tem o benefício da remissão da pena'', finaliza.
De volta ao crime
Aos 50 anos, Maria (nome fictício), ex-comerciante em Castro, nos Campos Gerais, cumpre mais uma pena na unidade feminina de Piraquara. Ela foi presa por tráfico de drogas em 2003 e ficou no regime fechado até 2006. Três anos depois, em 2009, retornou ao sistema prisional pelo mesmo crime. Como era reincidente, a pena subiu para cinco anos. Um ano depois, teve acrescidos mais nove anos à sua pena por ter o nome associado à uma quadrilha de traficantes que atuava em Castro.
Da primeira vez, ela afirma que assumiu o crime no lugar da filha, que era usuária de drogas e estava envolvida com um traficante. À época trabalhava numa mercearia, era casada e já tinha criado seus dois filhos e mais cinco enteados. ''Tínhamos uma lanchonete e na parte superior alugávamos quartos. A droga (1 quilo de maconha) foi encontrada pela polícia e como era a dona do local fui detida. Você fica numa situação humilhante, mas fiz para proteger a minha filha'', diz.
Na segunda, porém, a mulher assume que sabia do risco de continuar no tráfico. Já separada do marido, ela conta que se envolveu com outras pessoas que já estavam na criminalidade. ''Algumas vezes saía de noite até Ponta Grossa para comprar drogas para revender. É um dinheiro fácil. Por mais que não precisasse, pois tinha uma lanchonete, não queria parar'', admite.
Hoje, ela prefere não receber as visitas dos filhos e nem dos pais ou parentes. Troca cartas mensalmente e já acha isto suficiente. ''É uma situação humilhante, realmente o fundo do poço. Então prefiro me concentrar nas minhas tarefas. Meu trabalho na confecção de roupas do presídio ajuda a passar o tempo.''
Unidade
Segundo a diretora da PFP, Rita de Cássia Costa Naumann, 90% das mulheres foram presas por tráfico de drogas e têm, na sua maioria entre 18 e 26 anos. A capacidade da unidade de regime fechado é de 420, mas de acordo com Rita, existe uma grande fila de espera. ''Não temos a percepção de que a quantidade de mulheres envolvidas com a criminalidade aumentou porque a capacidade da PFP não muda. O que percebemos é que a fila de 'espera' é grande porque existem muitas detentas nas carceragens das delegacias'', explica.
Nos próximos meses deve ficar pronta a reforma de uma das alas da Penitenciária Central do Estado (PCE), que irá abrir mais cerca de 500 vagas para novas detentas da região metropolitana e do Interior. Das atuais 420 presas da PFP, 210 trabalham e 90 estudam na unidade. Elas desenvolvem atividades de artesanato, manutenção, confecção de roupas, cartões de Natal e montagem de componentes elétricos e eletrônicos. Na PFP também existe uma creche para atendimento dos filhos das internas.


