MULHERES BANDIDAS - Número de presas cresce 108% no Paraná
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sábado, 05 de maio de 2012
Carolina Avansini <br>Reportagem Local 
Historicamente tratadas apenas como vítimas da violência, as mulheres estão assumindo também a postura de autoras de atos violentos nesses primeiros anos do século 21. Informações do Ministério da Justiça apontam que, no Paraná, o número de detentas aumentou 108% entre 2005 e 2011, contra o índice de crescimento de 77% registrado entre os homens.
A natureza dos crimes praticados por elas também dá mostras de mudanças. O tráfico de drogas continua no topo das condenações femininas, mas as mulheres estão à frente de mais delitos que envolvem violência, como roubo qualificado e latrocínio (roubo seguido de morte).
Fontes ouvidas pela FOLHA afirmam não haver subsídios, ainda, para apontar uma causa concreta para essa nova realidade. Independentemente dos motivos, o crescimento súbito dos índices das condenações femininas impõe novas necessidades ao sistema prisional, como aumento no número de vagas e estrutura específica para esse público, que demanda serviços como atendimento ginecológico e creches.
O diretor do Departamento Penitenciário (Depen) do Paraná, Maurício Kuhene, afirma existir preocupação com o aumento no número de presas e informa que o Ministério da Justiça, através do Depen Nacional, criou um grupo interministerial para estudar todas as questões relacionadas ao perfil da mulher encarcerada.
Há dez anos, segundo ele, o percentual de detentas não chegava a 3% da população carcerária do Brasil. Hoje, o índice de presas representa 7% do total, ou seja, o volume mais que dobrou.
''O número aumentou e já há identificações de mulheres ligadas a facções criminosas, apesar de não serem líderes'', revela Kuhene. Mudanças no perfil dos crimes cometidos por elas também são observadas. Há alguns anos, conforme o diretor, as próprias detentas diziam que estavam presas por duas drogas: a ''droga da droga'', ou seja, relacionada ao tráfico de entorpecentes, ou a ''droga do marido, do namorado ou do amante'' que ela feria, matava ou ajudava e acabava sendo punida.
''Hoje, elas já estão ligadas a latrocínios e roubos. Não é um número assustador, mas demada estudos para determinar o que motiva essas mulheres a caminharem para isso. É um fato que está sendo observado'', observa Kuhene.
Sem afirmar causas para a mudança no perfil das detentas, o diretor do Depen lembra que a mulher assumiu uma dimensão, na sociedade, que não tinha há alguns anos. ''Elas estão presentes em todos os segmentos, são indispensáveis em qualquer atividade, inclusive no crime, o que seria o lado negativo dessas conquistas.''
O Paraná, atualmente, tem 2.443 presas e conta com duas unidades femininas: a Penitenciária Feminina do Paraná, com capacidade para 370 detentas e excedente de 47, e a Unidade de Regime Semi-Aberto Feminino, para 130 detentas e que abriga atualmente 151 mulheres. A maioria das presas, portanto, está espalhada pelas delegacias, que são estabelecimentos inadequados para recebê-las.
No dia 18 de maio, a Secretaria de Justiça inaugura uma nova unidade feminina em Foz do Iguaçu, para 250 presas. ''Também planejamos uma ampliação da penitenciária feminina para 300 ou 400 mulheres'', conclui Kuhene.


