Muito mais que investimentos financeiros
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sábado, 29 de junho de 2013
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Ter um filho hoje em dia requer mais do que condições financeiras. São necessárias também energia psíquica e consciência da necessidade de acompanhar os movimentos que acontecem globalmente. O alerta é da psicoterapeuta londrinense Sonia Lunardon Vaz, para quem a atual carga de informação, desde a infância, tem causado uma verdadeira revolução nas relações entre pais e filhos.
"Vivemos em um mundo em crise. Os pais têm que pensar no mundo em que o filho vai viver e o que será priorizado no futuro para decidir hoje como educá-los", afirma. Ela lembra que já existe uma consciência dos efeitos negativos do consumismo, entre eles a neurose e a depressão. "Esta consciência já está sendo trabalhada pelo mundo. O capitalismo já não dá mais conta da nossa existência", decreta Sonia.
Para a psicoterapeuta, ao eleger o foco de seus investimentos com os filhos, os pais precisam ter em mente que, por mais que gastem com bons serviços, sua participação é fundamental. "A escola é um apoio, ela não faz tudo. A consciência dos filhos tem que ser trabalhada em casa", exemplifica. E completa: "Se a escola está falhando em algum ponto, os pais têm que suprir esta falha dentro de casa, o que pode ser benéfico inclusive para estreitar os laços afetivos."
Sonia lembra que, no campo da afetividade, o excesso é menos prejudicial que a falta. "Em se tratando de afeto é sempre melhor errar para mais, porque neste caso há conserto." E este afeto, reforça Sonia, não tem que passar pelo consumo. "Quando agimos assim (usando o consumismo), a criança entende que é amada através das coisas", diz. A psicoterapeuta ainda faz um alerta preocupante: "A forma como as crianças estão sendo condicionadas a lidar com o meio é muito prejudicial à saúde mental. Nunca existiram tantas crianças neuróticas como agora. Enquanto for preciso usar grifes para termos autoestima, teremos doença mental".


