Muito além do consumo
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sábado, 16 de agosto de 2014
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Por mais de 14 anos, o aposentado Isaías Rosa, 33, dependeu da boa vontade de outras pessoas para executar tarefas simples do dia a dia, como se locomover por curtas distâncias no bairro onde mora.
Atingido por disparos de arma de fogo no final da adolescência, ele perdeu o movimento das pernas e, até o início deste ano, usava uma cadeira de rodas manual para ir e vir, o que demandava a força de outra pessoa para empurrar.
A cadeira de rodas motorizada, que custa entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, era um sonho impossível diante da realidade financeira deste pai de duas crianças pequenas.
A transformação na vida de Isaías veio por uma nova linha de crédito que garante a compra de equipamentos de acessibilidade a juros muito mais baixos que os oferecidos no mercado. O exemplo mostra que o acesso ao crédito vai muito além que o simples consumo de bens materiais, sendo capaz de transformar vidas.
Apesar dos 14 anos frequentando lojas de produtos ortopédicos e outros espaços destinados a ajudar deficientes físicos, Isaías só ficou sabendo da linha "Acessibilidade", do Banco do Brasil, quando foi mais uma vez a um estabelecimento comercial pesquisar preços para ver quando conseguiria comprar a sonhada cadeira.
Informado pela vendedora sobre o financiamento a juros de 0,41% ao mês, abriu uma conta no nome da esposa, que trabalha como servente e tem registro em carteira, e foi embora da loja já pilotando o novo equipamento.
"Minha vida mudou 100%", comemora ele, que paga uma prestação de R$ 155 mensais pelo bem. E acrescenta: "Dá para pagar tranquilo". Em apenas seis meses de liberdade, já conseguiu fazer um curso de mecânico no Senai, realiza compras no supermercado e faz praticamente tudo sozinho, inclusive tomar ônibus para o Centro da cidade.
Da antiga rotina, ele nem gosta de lembrar. "Era ruim demais. Para resolver algum problema no Centro, por exemplo, eu tinha que combinar três dias antes para alguém me trazer de carro", relata. A esposa, que muitas vezes acabava tendo que empurrar a cadeira manual pelas ladeiras do União da Vitória (Zona Sul), onde residem, também foi beneficiada. "Agora ela não precisa mais fazer tanto esforço", diz.
A linha de crédito "Acessibilidade" está disponível para todos os clientes do Banco do Brasil, independentemente de serem portadores de necessidades especiais. Pode usufruir quem tem renda até 10 salários mínimos, e os juros variam de 0,41% a 0, 45% ao mês. O dinheiro é disponibilizado mediante a apresentação da nota fiscal de aquisição de algum produto da extensa lista abrangida pela linha.
Conforme Paulo Zago, gerente geral da agência Calçadão do banco em Londrina, é possível comprar desde óculos até financiar a reforma de casas e carros para torná-los acessíveis aos deficientes, além de equipamentos como computadores e celulares adaptados. O valor máximo a ser financiado é R$ 30 mil e o prazo para pagar é 60 meses. "Tivemos um caso de um cliente que financiou parte de uma prótese que custava R$ 50 mil", exemplificou.
Na loja especializada Ortopédica Londrina, a venda de cadeiras de rodas motorizadas dobrou após o lançamento desta linha de crédito, há três anos. Como grande parte dos clientes não sabe da existência, e empresa confeccionou um banner explicando os detalhes do produto.
A gerente Adriana dos Santos Felipe conta que cadeiras e próteses são os produtos mais adquiridos pelo financiamento. "A gente procura informar porque sabemos que estes produtos representam o sonho de ter autonomia. Hoje, as pessoas não precisam mais desistir deste sonho por questões financeiras", diz.
O produto do Banco do Brasil também reduziu os casos de aposentados que adquiriam empréstimos em financeiras a juros altíssimos para conseguir comprar cadeiras e outros produtos. "Com os juros do mercado, o preço final fica muito alto. Hoje em dia esclarecemos que existe uma linha muito mais acessível."
Por conhecer a diferença que estes itens proporcionam à vida dos clientes, ela defende uma divulgação mais intensa da linha "Acessibilidade". "Apesar de muito importante, pouca gente conhece", diz.


