Muita simpatia e proposta de assinar contrato em branco
A reportagem da FOLHA acompanhou um aposentado a uma financiadora para simular um empréstimo de R$ 10 mil. A sensação é que todos ali haviam sido bem treinados para ''fisgar'' o cliente a qualquer custo. A pedido do aposentado, foram feitas as simulações de planos para pagamento em 36, 48 e 60 meses. Não houve resistência em demonstrar o quanto seria pago ao final, mas uma das vendedoras tentou convencê-lo que a melhor opção era a do prazo mais longo, mesmo diante do cálculo apontando que a dívida saltaria para mais de R$ 18 mil. O argumento era que, desta forma, ele comprometeria menos os seus rendimentos e não teria problemas para tomar um novo empréstimo, caso necessitasse.
Na financiadora visitada, o possível cliente é recebido com café, água gelada, biscoitos e muita simpatia. No nosso caso, fomos atendidos, a princípio, por um atendente iniciante. Mas logo uma funcionária mais experiente se aproximou para auxiliar o colega e, quando ela precisou se ausentar, chamou discretamente o gerente para acompanhar o atendimento. Mais contundente, ele fez questão de ressaltar a idoneidade da empresa e que não encontraríamos condições melhores no mercado.
Questionados sobre a possibilidade de quitar o empréstimo antes da data prevista, gerente e vendedor afirmaram claramente que isto poderia ser feito sem complicações. E ainda com vantagens, segundo eles, já que com a quitação, o contratante teria um bom desconto na dívida. ''É um ótimo negócio'', garantiu um dos atendentes, sem fazer qualquer menção à burocracia imposta para obter a carta de quitação (leia mais nesta página).
Ao ouvir do aposentado que a intenção não era formalizar o empréstimo naquele dia, os funcionários tentaram convencê-lo, então, a deixar ''tudo encaminhado'', o que implicaria em assinar um contrato em branco. Com isso, disseram, poderiam ir adiantando o serviço com o banco, bastando que um telefonema fosse dado depois para informar em quantas parcelas o empréstimo seria pago.
- Mas e se, nesse meio tempo, eu desistir de pegar o dinheiro? - questionou o aposentado.
- É só o senhor nos ligar que a gente rasga o contrato - informaram.(S.L.)





