MUDANÇA - 'Destralhamento' e simplicidade
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domingo, 05 de janeiro de 2014
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Tirar do guarda-roupas as peças sem uso, limpar as estantes de objetos desnecessários, eliminar acessórios de cozinha "inúteis" e diminuir cosméticos e maquiagens da bancada do banheiro são alguns exemplos do "destralhamento", uma prática adotada pelos adeptos do estilo de vida minimalista que consiste em retirar dos ambientes os objetos sem uso para simplificar a limpeza, a organização e liberar espaço.
O conceito tem a ver com as técnicas utilizadas pelo feng shui, uma prática milenar chinesa de harmonização de ambientes. "Deixar a casa arejada, com menos móveis e sem entulhos é recomendável para a energia fluir sem encontrar obstáculos", explica o consultor de feng shui Deo Ortiz, de Londrina.
Segundo ele, para manter memórias afetivas, as pessoas acabam acumulando muitos objetos que não têm utilidade. "O ideal é manter poucas coisas", recomenda, lembrando que os móveis devem ser compatíveis com o tamanho dos ambientes. "Além disso, tudo na casa precisa funcionar. Não guarde eletrodomésticos quebrados, não mantenha torneiras quebradas ou lâmpadas que não funcionam", aconselha.
Os chineses ensinam a manter os móveis em disposição adequada para harmonizar nove aspectos da vida, chamados de baguás: saúde, prosperidade, trabalho, sucesso, espiritualidade, amigos, criatividade, família e relacionamentos. A sala de estar, por exemplo, dever ser disposta em formato de "U". "Não é recomendado por o sofá de costas para a porta de entrada", diz.
Armários e guarda-roupas precisam estar organizados e limpos. "A limpeza nestes locais reflete em limpeza na vida", compara. No quarto, o ideal é que as cabeceiras da cama não fiquem viradas para a parede do banheiro, principalmente as que concentram encanamentos. "Quando não é possível, uma dica é procurar um especialista para fazer limpezas energéticas", sugere.
Na dúvida, ele recomenda usar a intuição e mudar todos aqueles ambientes que "incomodam" ao olhar. "Uma casa livre de entulhos e organizada é sempre melhor."
Organização
A analista financeira Luciana Freire, de 39, casada e mãe de uma menina, sempre adotou o estilo de vida minimalista, mas só ficou sabendo que a filosofia tinha este nome em conversa com um amigo. "Cresci em uma família que se mudava muito. Em alguns momentos a casa era imensa, em outros minúscula. Fui aprendendo com a minha mãe a desapegar, não guardar o que não era usado, afinal, seria apenas mais trabalho na próxima mudança", conta.
Adepta do "destralhamento", ela explica que o termo significa tirar da vida tudo que não é utilizado ou prejudica de alguma forma, sejam objetos, pensamentos ou amizades. "Em casa, muitas vezes guardamos roupas, eletrônicos e enfeites, nos esquecemos deles e compramos novamente, favorecendo o acúmulo. Na hora de arrumar, surge o famoso desânimo de olhar para tudo e se cansar antes mesmo de começar a limpeza. Precisamos realmente de tantas coisas em nosso lar?", questiona.
Para Luciana, a organização é uma consequência natural do minimalismo. "Quando temos poucos objetos, o espaço surge, e isso acaba se aplicando a outros aspectos da vida. Se desligamos nossa necessidade de ter, dedicamos naturalmente mais tempo ao ser", defende, lembrando que a organização demanda também o investimento no autoconhecimento.
No dia a dia, ela garante que o amor ao ócio é justamente o que a estimula a manter a agenda, a rotina e a casa organizadas. "Toda noite faço minha agenda para o dia seguinte. Olhar para ela ao acordar me estimula a dedicar o meu melhor e com isso reduzir o tempo de cada tarefa, para no final sobrar tempo para não fazer absolutamente nada", revela.


