MUDANÇA - Acumular menos para viver melhor
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de janeiro de 2014
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Ter mais tempo. Viver com menos. Valorizar o essencial.
Nesta época de reflexões inerentes ao fechamento de ciclos, novos planos e resoluções passam pela cabeça da maioria das pessoas. A experiência mostra que ideias mirabolantes correm o risco de nunca serem colocadas em prática. Pequenas mudanças, porém, são possíveis de serem implementadas ainda hoje e podem constituir o primeiro passo para grandes conquistas.
Para os adeptos do estilo de vida minimalista, eliminar excessos e organizar a casa, a rotina e as finanças são fundamentais para simplificar a vida. Não por acaso, eles pregam o "destralhamento", que nada mais é que desfazer-se daquilo que já não se encaixa em nossas vidas. Como um dos caminhos para manter o foco no que é essencial e, assim, ter condições e o valorizado tempo para fazer o que realmente importa. A médica veterinária e estudante de jornalismo Camile Carvalho, de 29 anos, adotou a simplificação da vida e escreve sobre as próprias experiências no blog Vida Minimalista (www.vidaminimalista.com), onde explora reflexões e dicas sobre o tema.
"O termo minimalismo aparece em várias áreas. Quando relacionado ao estilo de vida, significa viver com o mínimo necessário, sem excessos", explica ela, que começou a se interessar sobre o assunto após conhecer melhor o budismo e o hinduísmo, que pregam sobre desapego e valorização da essência ao invés do materialismo.
Para a blogueira, o primeiro passo para "minimizar" é reduzir excessos, o que passa pela organização pessoal. "Quando reduzimos objetos, compromissos e atividades, fica muito mais fácil manter a ordem e o controle sobre nossas vidas. Antes de qualquer organização, devemos eliminar o que está sobrando, o que não está nos acrescentando nada", opina. Na prática, defende que separar uma caixa de doações pode ser motivador para toda a família. "Além de ajudar em nossa própria organização, estaremos ajudando outras pessoas", diz.
Camile lembra que ambientes com muita tralha e lixo ou uma agenda com muitos compromissos são um prato cheio para distrações, por isso, o ideal é eliminá-los da visão e da mente e se dedicar a uma atividade por vez. "Uma dica que utilizo sempre e que aprendi com o GTD, método desenvolvido por David Allen em seu livro A Arte de Fazer Acontecer, é carregar sempre um caderninho e anotar tudo que vier à mente. Lembrar constantemente de assuntos pendentes atrapalha profundamente quando precisamos, por exemplo, escrever um artigo, mas estamos pensando na compra do mercado, no telefonema a ser feito, no e-mail que estamos aguardando", ensina.
Ela reforça que quando aprendemos a desapegar de objetos, compromissos e sentimentos nos tornamos mais livres e predispostos a mudanças. "Hoje dou mais valor aos amigos, escolho melhor o que faço com meu tempo e tenho uma visão mais holística e altruísta. Aprendi que não são os objetos que definem quem sou, mas minhas ações e pensamentos", explica.
Simplicidade
voluntária
Em Londrina, a professora Erica de Santana, de 38, trocou uma vida consumista pelo minimalismo em 2005. "Eu era viciada em comprar", recorda ela, que assistiu uma reportagem sobre simplicidade voluntária e passou a ficar incomodada com o próprio comportamento. "Comecei reduzindo o consumo. Depois, passei a me desfazer de bens materiais que não usava, mas tinha o hábito de acumular, como roupas e coisas de cozinha", exemplifica. O resultado é que a casa ficou mais fácil de ser limpa, a vida ficou mais organizada e Erica e o marido passaram a ter mais tempo e dinheiro para fazer o que realmente gostam, como viajar.
Outra lição aprendida por Erica foi a disciplina na vida financeira, o que acaba dando muito mais liberdade. Ela revela que deixou um emprego na área de informática, em São Paulo, para realizar o sonho de se tornar professora alfabetizadora. Como mudou-se para Londrina há dois anos, acompanhando o marido, acabou decidindo por não trabalhar por um tempo. "A vida mais frugal que levamos me permite isso", conta.
Na casa dela, tudo precisa ter utilidade. Por isso, os eletrodomésticos e louças são poucos. "Só temos três copos", revela, ressaltando, porém, que minimalismo não tem a ver com pobreza. "Gosto de conforto, mas não me apego ao consumo desnecessário de bens materiais." A expectativa de Erica, atualmente, é comprar uma casa mais afastada do Centro da cidade sem necessitar de financiamento, e aumentar a família tendo filhos. "Quero que sejam criados de acordo com essa filosofia", diz.
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