Apesar do receio, Ronaldo Trevisan, coordenador da Sesa, argumenta que há dois fatores favoráveis no atual período na comparação com o anterior. "Em agosto e setembro de 2012, foram notificados em média entre 120 e 140 casos suspeitos por semana. Em agosto e setembro deste ano, foram aproximadamente 220 por semana. Ou seja, a atenção primária está mais sensível (para situações de suspeita)", explica. "Além disso, sempre após um ano epidêmico, a adesão de todos às ações de prevenção é maior." Segundo Trevisan, o número de confirmações em agosto e setembro ficou entre nove e 12 por semana, enquanto nos mesmos meses em 2012 foram entre 10 e 11 confirmações a cada sete dias.
O coordenador relata que as medidas preventivas da Sesa se baseiam no acompanhamento desde o início do período, em agosto, junto às regionais de saúde, prefeituras e MP. Além da prevenção, Trevisan destaca a necessidade de ter serviços de saúde organizados e com adequada classificação de risco, quando receberem casos suspeitos de dengue, especialmente de quadros mais graves da doença.
Desde o ano passado até o mês que vem, a Sesa está promovendo oficinas de treinamento de profissionais de saúde para atenção primária. Ao todo, serão 35 mil trabalhadores capacitados. "O atendimento já está mais sensível e atento para organização e classificação de risco", alega o coordenador.
O procurador de Justiça Marco Antonio Teixeira, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção à Saúde, informa que promotores de 56 comarcas das regiões Norte, Noroeste, Oeste e Sudoeste, que concentraram casos de dengue no último período, estão sendo orientados a respeito de procedimentos a serem adotados nos próximos meses.
"Queremos contribuir para diminuir a incidência da doença e o número de óbitos. A literatura médica mostra que todos os óbitos por dengue são evitáveis", diz Teixeira. Segundo o procurador, o objetivo inicial é investir em trabalho preventivo, como discutir com as autoridades sanitárias a contratação de agentes de endemias e a orientação à população. Mas as recomendações vão além disso e incluem a análise de eventuais medidas de responsabilização de gestores públicos e proprietários de imóveis com focos de dengue, incluindo ajuizamento de ações.
"Estamos discutindo a dengue enquanto problema de saúde pública, mas também enquanto infração sanitária, por exemplo, na facilitação da proliferação de focos, e no âmbito do direito penal, do crime ambiental e da improbidade administrativa, no sentido de que todo administrador público tem responsabilidades nessa questão", afirma Teixeira.
O procurador relata que o MP já vinha acompanhando o problema da dengue no Paraná nos últimos anos e tomando medidas, mas a atuação deste período será mais incisiva. (F.G.)

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