Cerca de 100 pessoas aproveitaram o mês de maio para criar o Movimento Negro Anti-Racismo de Foz do Iguaçu (Monarfi) no último dia primeiro. A entidade visa amparar os negros que sofrem discriminação por causa da cor da pele, porém não encontram caminhos para oficilizar a denúncia, diz o presidente da Monarfi Raimundo Ramos dos Santos, 42 anos.
‘‘A idéia está longe de se criar um gueto separatista. Queremos, sim, que reconheçam nosso espaço na sociedade’’, argumenta o vendedor autonômo, destacando que a principal dificuldade dos negros é ingressar no mercado de trabalho. ‘‘Dizem que o negro é incapacitado, mas como cobrar capacitação profissional se não conseguimos nem entrar nas universidades’’, dispara.
Santos considera o racismo existente no Brasil ‘‘anônimo’’. Em sua opinião, o crime é cometido ‘‘silenciosamente’’. ‘‘Quer demonstração melhor do que essa história de uma pessoa negra bem colocada socialmente e de boa índole ser um ‘negro de alma branca’’’, questiona. ‘‘Sem falar nos salários menores, na falta de vagas em escolas e de sempre sermos abordados pela polícia quando dirigimos um carro’’.
O Monarfi já oferece assessoria jurídica – o caso de Altino Pereira está sob a responsabilidade do assessor jurídico da entidade, advogado Sérgio Barros da Silva. O movimento também tem como objetivo promover debates sobre os problemas raciais nas fronteira, além de organizar atividades de valorização da cultura negra. Hoje, por exemplo, será feita uma roda de capoeira e maculelê (misto de dança e jogo de bastões) e ainda será oferecida uma feijoada, na sede da Escola de Samba Unidos do Porto Meira. (A.P.)

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