O saudosismo é um aliado do comerciante Mário Sirosse, de 61 anos, que ao se aposentar como engenheiro civil, há sete anos, resolveu trabalhar com antiguidades. A princípio ele e a mulher comercializavam móveis, cristais, porcelanas, cédulas, moedas, rádios e telefones, entre outros, em uma feira realizada nos corredores do Shopping Quintino. Com o tempo, a feira se transformou em loja, visitada principalmente por um público de meia idade, colecionadores, arquitetos, decoradores e aqueles que, simplesmente, sentem-se atraídos por objetos que remetem ao passado.
Segundo Sirosse, muita gente que frequenta o Espaço Antigo confessa que as peças lembram o tempo dos pais e avós. "Trabalhamos basicamente com peças originais, as réplicas são muito raras", diz o comerciante, esclarecendo que a maioria do acervo vem de fora de Londrina, pois a cidade é muito nova. Entre as características que atraem nas peças antigas estão a qualidade e a carga de informação acumulada. "Elas foram fabricadas em um tempo que eram feitas para durar, e justamente por isso carregam tanta história."
As lembranças da infância, quando via o pai consertando os muitos carros antigos que teve, incutiram no eletricista Valdiney Andrade Alves, de 33 anos, o desejo de um dia também ter o seu automóvel de época. E foi o que aconteceu. Há cerca de 10 anos ele circula pela cidade com o seu Fusca fabricado em 1966. "Meu pai consertava os carros e, quando terminava, sempre aparecia um interessado em comprá-los. Eu ficava morrendo de dó e pensava que, no dia em que tivesse o meu, não venderia."
Ney, como é conhecido, diz que gosta do design dos carros antigos e dos detalhes de época, como os frisos e uso de peças cromadas. "Além disso, também acho muito interessante a simplicidade da mecânica. Qualquer pessoa que tiver conhecimentos básicos na área não fica na estrada com um carro antigo, porque vai conseguir ela mesma dar um jeito", argumenta o eletricista, que já foi duas vezes para a praia com o seu Fusquinha. (S.L.)

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