Warren NabucoCombinadoSala de um apartamento decorado com junco: os móveis artesanais conferem requinte ao ambienteOs tradicionais móveis artesanais voltaram a ser procurados e hoje são muito utilizados.Não só em casas de campo ou de praia - os locais onde são mais comuns - mas também em ambientes requintados, podendo ser combinados com outros materiais como mármore ou vidro.
Esses móveis ganham espaço pela praticidade e por permitirem um ambiente mais descontraído. A opinião é da arquiteta e decoradora Marilda Marchiori, que faz trabalhos em Londrina com o arquiteto José Carlos Repette.
Ela diz que os espaços que mais utilizam essas peças são salas de estar, varandas e sala de jogos. ‘‘Hoje existem belíssimas poltronas com designs arrojados que ficam muito bem nos ambientes’’. A variedade é grande, mas se o cliente preferir pode optar por criar um design e mandar executar de acordo com seu gosto.
Em certas épocas, o comércio registra um crescimento nas vendas desse móveis. ‘‘No verão aumenta muito a procura para as casas de praia e de campo’’, conta Maria Auxiliadora, que trabalha no ramo há 15 anos.
Dos materiais mais comuns - junco, vime, rattan e cana-da-índia - Marilda prefere o junco, por permitir mais efeitos, ser mais rico em detalhes e por ficar mais bonito. Também, tem um detalhe: é o mais caro deles. A proprietária da Casa do Vime, Maria Auxiliadora, argumenta que o preço se deve à qualidade do produto. ‘‘É um material mais pesado (o dobro do vime), mais forte, dura mais. Por isso tudo custa quase o triplo do vime. E também dá mais trabalho para fazer. ‘‘O rattan também é caro porque é difícil de trabalhar, tem que pregar ripa por ripa do vime sobre a armação de madeira’’, diz Valdecir da Silva, dono da Art Nuance.
Na opinião de Silva, a cana-da-índia também é um material bastante resistente. ‘‘Já o vime só é bonito, mas é muito fraco. Não dá para esquecer que nenhum deles pode pode ficar exposto à chuva ou ao sol, como o plástico’’.
DivulgaçãoConjunto em junco com detalhes em azul: leveza ideal para salas e varandas. Segundo os profissionais, móveis artesanais devem ser usados com cuidado para evitar extravagâncias
As mobílias mais vendidas nas fábricas de Londrina são as feitas em cana-da-índia e vime, os mais baratos. São peças que vão desde cestinhas até camas de casal, estantes e sofás. A maioria é feita sob encomenda e pode demorar alguns dias para ficar pronto.
Na Art Nuance, uma cama de casal com 20 pés em cana-da-índia custa R$ 150,00. Já uma mesa com seis cadeiras, também em bambu, sai por R$ 370,00 sem os acessórios. A peça mais em conta da loja é uma revisteira, no mesmo material, que sai por R$ 15,00. Os móveis podem ser encontrados em tons claros e escuros. A fábrica vende, por exemplo, poltronas em cana-da-índia queimada, que dá o efeito das cores preto ou marrom por R$ 45,00. O fabricante explica que a técnica de escurecimento é simples. ‘‘É feita no fogo, de acordo com a tonalidade que se deseja’’.
Uma cadeira em junco varia de R$ 30,00 a R$ 60,00 na Casa do Vime; em cana-da-índia custa R$ 30; e uma poltrona em rattan chega a R$ 120,00. Para quem preferir outras cores ou tonalidades, a técnica utilizada pela fabricante é o escurecimento com verniz.
Designs arrojados Algumas lojas de decoração em Londrina também dispõem de uma variedade de modelos mais requintados. A Tok & Stok de Londrina, por exemplo, está comercializando dentro da linha Garden peças como cadeiras, poltronas, mesas e estantes exclusivamente em junco e rattan. Uma poltrona em rattan revestido em junco holandês custa R$ 332,00. Já uma poltrona de junco trançado - com armação em tubo de ferro - com detalhes tingidos de azul sai por R$ 295,00.
A loja tem uma linha exclusiva, com design próprio. ‘‘O fabricante só fornece a matéria-prima, que recebe tratamento especial contra fungos’’, diz a representante da Tok Stok. ‘‘O vime é pouco durável. Então é melhor pagar um pouco mais e ter um produto mais durável’’, argumenta.
Hoje é possível mobiliar quase toda a casa só com móveis artesanais. A tendência, segundo os representantes, é usá-los em tudo. Desde a varanda ou sala de estar até em banheiros e quartos de bebê. ‘‘Este tipo de mobiliário não concorre com os tradicionais’’, diz Maria Auxiliadora, que aposta na praticidade e beleza dos móveis rústicos. Mas é bom tomar cuidado com as extravagâncias e lugares inadequados. Como têm um aspecto visual leve, esses móveis devem ser bem combinados. Opções não faltam. A sugestão da arquiteta Marilda Marchiori para uma sala de estar são duas poltronas com almofadas em tecido pintado, um sofá com tecido liso e escuro, um tapete e alguns quadros. Simples, mas de bom gosto.

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