Motos X trânsito: a vida por um fio
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sábado, 18 de agosto de 2001
Katia Michelle<BR>De Curitiba 
A convivência entre carros e motocicletas no trânsito nunca foi considerada das melhores, mas nos últimos anos o problema se agravou. Com o aumento da frota de motos, relacionada principalmente à ampliação de serviços que utilizam esses veículos, aumentou também o índice de acidentes e óbitos envolvendo motociclistas. A situação está preocupando o Ministério da Saúde, que já liberou recursos destinados a campanhas educativas para cidades onde os índices são alarmantes. Curitiba está nessa relação e vai receber verba de R$ 80 mil para prevenir acidentes desse tipo.
O recurso será aplicado em uma campanha que começa a vigorar em outubro. Com a iniciativa, o Ministério da Saúde quer reduzir gastos no Sistema Único de Saúde (SUS). A Secretaria Estadual de Saúde não tem dados específicos sobre vítimas de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas. De acordo com a secretaria, o total gasto pelo SUS em internações e atendimentos envolvendo vítimas de trânsito não representou aumento entre janeiro e maio desse ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Nesse período, os gastos referentes a essas vítimas ficaram na média de R$ 1,7 milhão.
De acordo com informações da prefeitura, no primeiro quadrimeste deste ano houve aumento de 18% no índice de acidentes envolvendo motociclistas em relação ao mesmo período do ano passado. Nesse período, a frota de motos em Curitiba cresceu 7%. ''O índice de acidentes deveria ter aumentado nessa proporção, mas dobrou, o que demanda preocupação'', salienta o diretor da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran), José Álvaro Twarbowski.
De 1997 a 2000, houve um aumento de 61% no número de acidentes envolvendo motocicletas em Curitiba. ''Percebemos que o aumento é crescente. Se não fizermos nada, as pessoas vão continuar morrendo'', ressalta Twarbowski.
Dados do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma (Siate) revelam que 30% dos óbitos relacionados ao trânsito são referentes a acidentes envolvendo motociclistas. No ano passado, foram realizados 2.164 atendimentos a feridos em acidentes com motos. Destes, 1.615 foram colisões, 228 atropelamentos e 321 quedas de motos. Dos atendimentos, 1.869 foram encaminhados a hospitais de Curitiba, o que aumenta consideravelmente a ocupação de leitos.
Das 107 pessoas que morreram em acidentes de trânsito em Curitiba ano passado, 32 eram motociclistas. Twarbowski atribui o fato ao aumento de serviços que utilizam motocicletas, como entrega de alimentos e a proliferação de uma profissão que ainda não foi regulamentada e representa polêmica em todo o País: a dos motoboys. A frota de motocicletas em Curitiba hoje é de cerca de 40 mil, e aproximadamente 15 mil são sindicalizados.


