Motoristas reclamam de excessos
Um reflexo do aumento de infrações de trânsito é a maior demanda por cursos de reciclagem, obrigatórios para motoristas que tiveram a carteira de habilitação suspensa. De acordo com o último anuário do Detran-PR, em 2011 foram abertas 1,6 mil turmas do curso no Paraná, contra 951 em 2010. O número de vagas ofertadas nesses cursos mais do que dobrou, ao passar de 23,9 mil no ano retrasado para 53,6 mil em 2011.
''O Paraná é um dos Estados que cumprem efetivamente a lei no sentido de pontuar os infratores. Por isso houve aumento da demanda por cursos de reciclagem a partir de 2010, porque em 2009 começamos a pontuar os infratores paranaenses que cometeram infrações em outros Estados'', explica Marli Batagini, coordenadora de infrações do Detran-PR.
Entrevistados pela FOLHA, dois condutores que estão fazendo o curso de reciclagem opinaram que o desrespeito às leis de trânsito está mais comum, mas apontaram que há excessos na fiscalização.
''Acho que existe uma fábrica de multas. Muita gente que está fazendo o curso foi multada indevidamente. Mas também acho que o excesso de carros nas ruas gera estresse e faz os motoristas cometerem mais infrações'', afirma um estudante de 22 anos, que teve a carteira suspensa por 30 dias por conduzir moto com a viseira do capacete aberta.
O outro entrevistado, um músico de 30 anos, foi obrigado a fazer o curso de reciclagem porque acumulou pontos na carteira. ''Fui parado no trânsito e perguntei a um agente qual era a velocidade máxima da via. Ele perguntou se eu sabia com quem eu estava falando. Respondi que devia estar falando com Deus, pela forma como ele estava falando comigo. Aí, ele inventou que eu tinha cometido quatro infrações. Tentei recorrer depois, mas me disseram que não ia adiantar'', afirma.
''Uma vez, eu estava com uma criança no carro e me multaram porque ela estava sem cadeirinha. Beleza, achei justo. Mas as outras multas foram injustas. Acho que existem abusos'', critica o músico. (F.G.)





