Apesar dos livros didáticos apontarem a princesa Isabel como o grande nome da libertação dos escravos, por ter assinado a Lei Áurea, a comemoração entre os negros acontece em outro mês. A data festejada pelos movimentos sociais é 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, em homenagem a morte de Zumbi dos Palmares, líder de influência nacional sobre a população negra e mestiça.
A história de Zumbi começou no início do século 16, quando 40 escravos fugiram de uma fazenda existente no Sul da Capitania de Pernambuco. O grupo rumou em direção à floresta, chegando numa região conhecida por Palmares (devido à quantidade de palmeiras existentes na selva). Foi criado então o Quilombo dos Palmares, um foco de resistência e luta contra a escravidão, que logo começou a ser combatido pelos senhores pernambucanos.
Em 1965, o padre português Antônio de Melo, residente em Porto Calvo, próximo a Palmares, recebe de ‘‘presente’’ uma criança, batizada por ele de Francisco. ‘‘Aos 10 anos, o menino conhecia o latim e demonstrava engenho jamais imaginável na raça negra’’, observou o padre, segundo documentos históricos. Aos 15 anos, o menino fugiu em direção a Palmares, onde recebeu o nome de Zumbi e passou a comandar a resistência negra – humilhando as expedições ‘‘brancas’’ enviadas para destruir o foco de luta.
A resistência recebeu um duro golpe em 20 de novembro de 1695, quando um amigo de Zumbi, torturado por uma tropa, entregou o esconderijo do líder. Zumbi foi morto e exposto na cidade de Recife decapitado, sem o pênis (cortado e colocado em sua boca), sem um olho, sem uma das mãos e com 15 ferimentos de armas de fogo e vários de armas branca. Sua saga, hoje, é comparável a outros líderos negros, como Nelson Mandela e Luther King.
Anos depois, em 28 de setembro de 1871, surge a Lei do Ventre. Ela dava liberdade aos filhos de negros nascidos a partir dessa data, mas os mantinha sob a propriedade dos senhores até atingir 21 anos de idade. Em 1885, o governo cede com a Lei do Sexagenário, que liberta escravos com mais de 60 anos, porém pouco usada.
Em 1888, a princesa Isabel, pressionada pela campanha abolicionista, assina a Lei Áurea em 13 de maio. Esquece, entretanto, de dar garantias sociais, formação escolar, mecanismos de desenvolvimento, enfim, condições de cidadania. (A.P.).

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