Moradores temem a desocupação
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sábado, 11 de agosto de 2001
De Curitiba 
A cozinheira Lurdes de Souza, 52 anos, é uma das moradoras da Vila Zumbi dos Palmares que, mais cedo ou mais tarde, terá que deixar a área. Sua casa fica a menos de 10 metros da margem do Rio Palmital. Oficialmente, ela ainda não foi informada disso, até porque o processo de relocação não foi iniciado (a Comec está na fase de diagnóstico das condições sociais). Mas os boatos já a deixaram preocupada.
Lurdes disse que está no local há quase cinco anos e que pagou R$ 1,3 mil pelo terreno e pela casa de madeira de três cômodos. Sua preocupação é perder o investimento, já que sabe que está em situação irregular. ''A gente não tem documento nenhum para provar que pagou'', lamenta. Ela pensa em vender sua casa para comprar um lote regularizado no bairro Maracanã, em Colombo.
A cozinheira, que mora com dois filhos e uma neta, parece não se importar com a falta de infra-estrutura. ''Eu gosto de morar aqui porque é um lugar sossegado.'' Para ter água e energia elétrica os moradores se servem de ligações clandestinas. As instalações sanitárias das casas são precárias e o esgoto corre por valetas na frente das casas.
A dona de casa Ana Maria (ela disse ter sido registrada sem sobrenome), 63 anos, deixou o emprego de bóia-fria em Campo Mourão, há 18 anos, para tentar a vida na 'cidade grande'. Trabalhou em chácaras em Paranaguá e Morretes (Litoral do Estado) e acabou 'comprando' dois terrenos, a R$ 600,00 cada, na Vila Zumbi. Primeiro para a filha e depois para ela e o marido. ''Mês que vem pago a última parcela de R$ 100,00'', comemorou.
Ana Maria conta que trabalhou como ''catadora de papel'' para ajudar no sustento da casa, mas agora ela e o marido vivem da aposentadoria de R$ 180,00. Mesmo morando numa pequena casa de madeira, de chão batido, Ana Maria nem pensa em deixar o lugar. Quando perguntado se ela sabia que a pessoa de quem ela teria comprado o terreno não era dona da área, Ana Maria ficou surpresa. ''E agora? Se eu tiver que sair daqui vou para onde?''
O catador de papel Marciano Simão de Oliveira, 17 anos, não ficou intimidado em dizer que não pagou pelo terreno para construir a casa onde vive com sua mulher Sandra e o filho Mateus, de três anos. ''Eu invandi mesmo. Aqui era tudo mato'', declarou. Ele disse que foi para o lugar para ficar perto da mãe, que também mora na Vila Zumbi. (A.L.)


