Morador sentiu terra tremer duas vezes em 32 anos
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de janeiro de 2016
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
O primeiro tremor registrado na área urbana de Londrina noticiado pela mídia aconteceu no dia 21 de dezembro de 1983, como registra reportagem da Folha de Londrina daquele ano. Na época aconteceu um terremoto de 7 graus na escala Richter, cujo epicentro foi localizado na província de Santiago del Estero, norte da Argentina, a 1,75 mil km de distância de Londrina. Os tremores sentidos por aqui naquele dia foram classificado como uma réplica do terremoto argentino, registrado a 500 quilômetros de profundidade, o que teria colaborado para reduzir os seus efeitos na superfície e aumentado o grau de propagação da onda sísmica.
Artur Ianckievicz tinha 29 anos na época e era o tesoureiro do Colégio de Aplicação Pedagógica da Universidade Estadual de Londrina, localizado na Rua Piauí (Centro). "Eu senti como se fosse uma onda bem forte. Quando balançou a mesa, pedi para o meu colega parar com isso, mas ele falou que não tinha sido ele e que também havia sentido", relata.
Era época de férias e não havia professores e alunos, mas muitos funcionários do colégio também sentiram a terra se mover. "É como se a mesa e a cadeira subissem e descessem", relata Ianckievicz. Além do terremoto na Argentina, muitas pessoas falaram para ele naquela época que havia uma correlação entre o tremor de terra e a construção da Represa Capivara. É que em algumas ocasiões a pressão das águas pesando sobre falhas geológicas pode colaborar para desencadear alguns tremores.
Coincidentemente, Ianckievicz é hoje morador do Jardim Califórnia, uma das áreas mais afetadas pelos tremores mais recentes. Hoje com 61 anos, o agora aposentado conta que os tremores atuais têm acontecido diariamente. "Estamos bastante assustados. Qualquer barulho que faz achamos que é um novo abalo", revela, acrescentando que vê diferenças entre o tremor que sentiu em 1983 e os atuais. Naquela época, diz ele, o abalo foi forte, mas era um movimento de subir e descer. "Os de agora são diferentes. Primeiro nós escutamos o barulho de uma explosão e logo depois começam os tremores. Chega a chacoalhar tudo mesmo. Nós nem conseguimos dormir direito."
Ele teme que comecem a surgir rachaduras em sua casa. "Na minha casa não rachou nada, mas em várias casas do bairro aconteceram rachaduras e em algumas caiu o reboco do teto", aponta.


