Monopólio e fusão no modal ferroviário preocupam
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sábado, 27 de setembro de 2014
Fábio Galão e Nelson Bortolin<br> 
O monopólio da ALL, concessionária da estrada de ferro que liga o Norte do Estado ao Porto de Paranaguá, é um dos motivos que impedem um aproveitamento maior do modal ferroviário no Estado.
Somente 28% dos grãos que chegam a Paranaguá vão sobre trilhos. Durante o EncontrosFolha, o assessor técnico e econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo, criticou os "trechos obsoletos", os custos elevados, e o preço do frete ("uma coisa absurda") da concessionária.
Ele também manifestou preocupação quanto às negociações de fusão da ALL com a Rumo, braço logístico da Cosan, gigante do açúcar e do etanol. "Entramos com pedido de impugnação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Não é que não desejamos essa negociação, mas queremos que seja feita de forma que proteja os usuários (do transporte ferroviário). Senão vai ficar pior do que já está", alertou.
Já o coordenador do curso de logística da UniFil, Pedro Antônio Semprebom, disse que vê a fusão como algo positivo, que "pode dar fôlego" ao transporte ferroviário do Norte do Paraná. "Do jeito que está, a coisa não pode piorar", afirmou. E defendeu um marco regulatório para que a nova empresa não priorize o setor sucroalcooleiro.
Camargo lamentou a "pobreza de alternativas" no modal no Paraná, e citou a necessidade do estabelecimento da ligação Guaíra Paranaguá (Ferroeste), da solução do gargalo entre Guarapuava e Ponta Grossa (com a possibilidade de uma variante por Ipiranga) e de uma conexão entre Campo Mourão e Jussara.
Já o representante do Conselho Temático de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, cobrou a implantação do anel ferroviário do Paraná. Fariam parte deste anel, segundo ele, o trecho concedido à ALL, a Ferroeste, e o trecho da Norte-Sul, no Estado.
Ao contrário da Faep, que não vê utilidade na Norte-Sul, que sai do Pará e vai até o Porto do Rio Grande, no Rio Grande do Sul, Mohr acredita que ela será importante para o agronegócio paranaense. "Hoje, sobra milho no Mato Grosso. Para ser usado como ração pelas agroindústrias de frango (paranaenses), tem que trazer de caminhão, mas é caro", exemplificou.
O representante da Fundação Dom Cabral, Paulo Tarso Vilela de Resende, elogiou e criticou o novo modelo de concessão ferroviária adotado pelo governo federal, que acaba com os monopólios nas linhas férreas. O novo modelo é "moderno", segundo ele, porque as empresas usuárias poderão ter ativo ferroviário (locomotivas e vagões) e vão alugar a linha da concessionária. "O problema é que o governo mais uma vez resolveu ser sócio no negócio e colocou no meio uma estatal (Valec) para comprar a capacidade da rodovia e vender ao mercado. Imagine o risco de ingerência politica."
Camargo também criticou. "O Tribunal de Contas da União (TCU) considerou que a Valec não tem a menor condição de exercer o que está sendo proposto", afirmou Camargo.
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