A predominância de algumas famílias no cenário paranaense não se restringe somente à política. O professor de ciências sociais da UFPR Ricardo Oliveira diz que ela se estende a outras áreas. ‘‘O modelo se repete entre o empresariado, onde a Associação Comercial, por exemplo, foi reduto desta elite, e também na imprensa.’’
Mas o continuismo é mais visível entre as novas gerações de políticos. E exemplos não faltam. Entre os nomes mais conhecidos estão o do vereador de Curitiba Alexandre Khury (PFL), neto do presidente da Assembléia Legislativa Aníbal Khury, morto em agosto de 1999; do vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa, filho do ex-governador José Richa; e de Gustavo Fruet, deputado federal e filho do ex-prefeito da Capital, Maurício Fruet, também morto. Até mesmo na esquerda o esquema se repete. No último pleito, André Passos foi eleito vereador de Curitiba pelo PT, seguindo os passos do pai, Edésio Passos, ex-deputado federal.
Esse perfil de reprodução familiar é muito curioso e só tem paralelo nas oligarquias nordestinas, onde ainda impera o coronelismo, diz o professor. Apesar disso, o Paraná ainda não conta em seus quadros com um nome de projeção nacional, que represente uma liderança incontestável e consiga congregar todas as correntes políticas. Sem falar na célebre autofagia, marca da identidade individualista do paranaense. De acordo com alguns historiadores, conclui Oliveira, este é mais um traço do provincianismo da sociedade local. (R.H.)

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