Por anos, a situação da Cracolândia de São Paulo - submetida a uma operação de desmonte há seis meses - gerou indignação não só da população da capital paulista, mas de todo o País.

Entre as várias críticas, o uso indiscriminado de drogas por centenas de pessoas a céu aberto e 24 horas era o que mais chocava. Em proporções menores, mas não menos preocupantes, pontos de uso são encontrados em outras cidades, inclusive Londrina. Ao contrário das ''bocas de fumo'', onde há comercialização de drogas, nos pontos de uso essa não é a finalidade maior. Grupos se reúnem para dividir e consumir o produto ilícito, principalmente o crack.

A reportagem percorreu várias regiões do município e constatou que o problema chegou aqui há algum tempo, de acordo com empregados e moradores dos entornos (que não serão identificados na matéria). Um dos locais onde o problema é mais grave é a Vila Santa Terezinha (Zona Leste), no início da Avenida Santa Mônica, no qual existem barracões comerciais. Segundo o proprietário de uma fábrica, é preciso limpar a frente do local de trabalho diariamente. ''Eles ficam durante toda a noite usando drogas aqui. Quando chego de manhã é muita sujeira, desde latas de alumínio, caximbo, camisinha, restos de comida, roupa e até mesmo fezes'', relata o homem.

Outro comerciante da mesma rua diz que, frequentemente, grupos de até 30 pessoas ficam na rua durante a madrugada consumindo drogas. ''Vemos de tudo: adolescentes, homens, mulheres de todas as idades. São muitos, mas muitos mesmo, que chegam a tomar a rua. Durante o dia eles ficam andando pela região'', comenta. E não é preciso muito tempo para ver alguns deles caminhando pela área, malvestidos, sujos e com sinais aparentes do efeito devastador da droga. São os chamados ''noias'' ou ''zumbis'', que passam o dia esmolando por dinheiro e comida.

Leia a reportagem especial de Marian Trigueiros em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.

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Consumo de crack ocorre perto dos pontos de venda

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