Vítima de diabetes, o cabeleireiro Rafael da Silva André, 34, enfrentou durante o último ano uma complicação da doença que resultou em duas cirurgias para amputação de parte do pé. Acostumado a trabalhar muitas horas por dia, garantindo uma renda que não só mantinha as próprias despesas pessoais mas também contribuía com grande parte das despesas da casa onde mora com a mãe e a irmã, ele acabou afastado do trabalho e, por enquanto, sem condições de pagar dívidas que adquiriu enquanto trabalhava.
Registrado como microempreendedor individual, a primeira dificuldade financeira ocorreu no final do ano passado, quando o Instituto Nacional de Previdência Social (INSS) negou o pagamento do benefício ao qual tinha direito porque algumas parcelas estavam atrasadas. "Sem dinheiro, tive que recolher três parcelas do INSS", conta. O pagamento dos três primeiros meses de benefício, apenas um salário mínimo cada, foi feito três meses após a cirurgia. "Usei para pagar as parcelas atrasadas do carro, pois corria risco de perdê-lo", conta, destacando que o valor recebido é suficiente apenas para pagar este débito mensal. "Me sobra muito pouco dinheiro, não dá nem para comprar os remédios que preciso fazer uso", lamenta.
Diante da tragédia na vida pessoal, ele viu a vida financeira sair do controle. Deixou de pagar a fatura do cartão de crédito e também as parcelas de um empréstimo feito para custear despesas de trabalho. "O dinheiro que tinha guardado foi usado para comprar medicamentos. Eu tinha uma boa renda e agora dependo da minha mãe e da minha irmã, que também estão sofrendo com essa diminuição na nossa renda. Chegou a faltar dinheiro para despesas básicas", relata.
Além das dívidas formais, ele está em débito com fornecedores – a quem nunca atrasou um pagamento – e até amigos que o ajudaram a comprar equipamentos para se adaptar à nova vida. "Não tenho perspectiva de resolver tão cedo, pois ainda não me sinto totalmente recuperado para ficar de pé por várias horas", lamenta ele, que fez uma tentativa de retornar ao trabalho há alguns meses e acabou submetido a uma segunda cirurgia.
Quando conseguir retomar as atividades profissionais, André está consciente de que terá de diminuir o ritmo e, consequentemente, a renda. "Não estou conformado, porque minha vida não voltará ao que era antes", acredita . Assediado pelos bancos que querem negociar os débitos, ele avisa a todos que, por enquanto, está impossibilitado de assumir compromissos. "A prioridade agora é retornar ao trabalho para pensar em negociar", espera. (C.A.)

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