CRÔNICA ESPECIAL DE ANO NOVO -

Militão: No Brasil, como em Londrina, é viver no paraíso, sem morrer!


Oswaldo Militão
Oswaldo Militão

Essa exclamação ouvi logo que aqui cheguei, em fevereiro de 1956, para fazer o curso colegial, o agora chamado ensino médio. E ouvi na velha Redação da FOLHA, ainda na Duque de Caixas, em um papo entre o redator João Rímoli e o prof. J. J. Puls, que escrevia a coluna semanal No Mundo das Ciências, na qual pedia aos jovens que estudassem línguas. Puls escrevia também uma página, aos domingos, sobre filatelia, sua outra paixão. Os dois adoravam Londrina, que consideravam viver num paraíso, sem precisar morrer. A cidade era amiga, abraçava os que chegavam e todos tinham uma nova chance na vida. Aqui não era verdade que dinheiro dava em árvore, mas quase, pois os pés de café praticamente traduziam seus produtos em fortunas, quando não eram vitimados por geadas. Por isso, Londrina foi e ainda é lembrada como “A Capital Mundial do Café”.


Mas, como em tudo na vida, há as diferenças. Tanto que o jornalista Edson Maschio, mandou fazer e colocou um cartaz na entrada de Londrina, pela Rua Guaporé, em fins de 1956, com os dizeres em letras garrafais: - “Volte, em Londrina temos 18.000 iguais a você!” Edson tinha o seu jornal, que era semanal, e tinha seus motivos, se minha memória não falhar pela data.




Maschio, Marinósio Filho e Dicésar Plaisant também tiveram suas publicações semanais que marcaram época na cidade. Marinósio é aquele mesmo que compôs a marchinha de carnaval “Cachaça”, gravada por Emilinha Borba, que fez e faz sucesso até hoje, quando a orquestra bota para tocar.


Tempos bons da Londrina de ontem, que refletiu no hoje de muita gente e certamente no amanhã de milhares de londrinenses


Outro jornalista carioca que veio para Londrina, foi Rafael Lamastra, udenista roxo, colega de Carlos Lacerda, e que foi também amigão do pessoal da FOLHA, onde sempre estava. Era outro apaixonado pelo jornalismo, morou um bom tempo no então ótimo Franz Hotel, onde almoçamos várias vezes juntos, e me chamava carinhosamente de “L’enfant terrible”. Quando o notável hoteleiro Franz Hesselman, perguntou por que dessa expressão francesa, Lamastra sorriu e afirmou: tenho lá minhas razões!


Tempos bons da Londrina de ontem, que refletiu no hoje de muita gente e certamente no amanhã de milhares de londrinenses, graças as pessoas como Orlando Mairynk Góes, que foi o homem que decidiu trazer a Universidade Estadual para Londrina, e teve que atender ao pedido do então governador Paulo Pimentel, para que criasse também as de Maringá e de Ponta Grossa, para que não houvesse ciumeiras, e que todas as regiões fossem atendidas. E quem arrumou o dinheiro foi Mayrink Góes mesmo, que era o secretário da Fazenda do governo. De que maneira, “depois eu conto”, como diria o célebre colunista Ibrahim Sued.




No mais, gente amiga, um super hiper Ano Novo para todos. Sabem por que falei um pouco de mim, porque me lembrei de Cory Taylor, que disse certa ocasião: “Se você não contar sua própria história, os outros contarão e poderão faltar com a verdade”. Viva a vida!

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