Depois da libertação dos campos de concentração, as famílias ficaram alojadas em quartéis na Alemanha, ocupados pela Organização das Nações Unidas (ONU) e foi graças a soldados brasileiros que os Hluchow acabaram vindo para o Brasil. ''Nós não queríamos voltar para a Ucrânia, já que o regime socialista era muito severo. Em uma Páscoa, um padre russo veio pedir que cada família recebesse um ou dois soldados das tropas de libertação para as festas. Meu pai aceitou e assim vieram três rapazes brasileiros, descendentes de russos. Foi uma alegria só, eles contaram ao meu pai que no Brasil era tudo muito bom e que teríamos uma vida melhor vindo para cá. Como é um país tropical, sugeriram que nós viéssemos para o Rio Grande do Sul ou Santa Catarina, que era mais fresco. Assim, em 1949, desembarcamos no Rio de Janeiro'', conta Valentim.
Na época, o café era uma cultura promissora e a família de agricultores foi orientada a vir para o Paraná. ''Chegamos em Apucarana (Norte) e fomos para Campo Mourão. Meu pai levou um susto quando chegou lá, só tinha mato'', conta rindo Nicolay. Como não se adaptaram ao local, voltaram para Apucarana e, depois, com a ajuda de um russo que já vivia há algum tempo no Brasil, a família conseguiu adquirir a pequena propriedade em que os irmãos moram até hoje com suas famílias em Doutor Camargo.
Dona Lurdes casou-se e foi morar em um sítio próximo. Os irmãos nunca estudaram. Ela se recorda que recebeu propostas para ir trabalhar e estudar em outras cidades, mas nunca aceitou. ''Eu morria de medo de ficar longe da minha família'', justifica.
Questionados se alguma vez voltaram à Ucrânia, Valentim diz que nunca tiveram vontade. ''E nem coragem'', acrescenta Nicolay. Para eles a terra natal se tornou o Brasil. ''Meu pai morreu feliz e em paz neste país. Temos muito a agradecer aos brasileiros que nos receberam.'' (E.G.)

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