O chefe escritório regional de Londrina do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Andrew Pinheiro Neto, admitiu que as anomalias apresentadas pelos lambaris do Lago Igapó podem ser causadas pela poluição da água. Na avaliação do IAP, os metais pesados detectados no lago não provocam efeito agudo letal, mas causam doenças crônicas. Ele explicou que os poluentes tóxicos são cumulativos e já estão apresentando os primeiros sinais.
‘‘Infertilidade e malformações congênitas estão relacionadas a metais pesados’’, informou Pinheiro Neto. Metais como alumínio, ferro e chumbo estão depositados no lodo e fundo dos lagos. O chefe do IAP lembrou que as tintas utilizadas em algumas indústrias têm componentes químicos. ‘‘Quando esses elementos são despejados no lago levam anos para desaparecer’’.
O ecossistema, de acordo com Pinheiro Neto, merece estudo mais aprofundado. Também deve ser intensificada as pesquisas sobre os metais e o lodo sedimentados nos lagos e nos córregos que compõem a bacia do Ribeirão Cambé.
Amostras coletadas pelo IAP nos Lagos Igapó 1 e 2, de dezembro de 97 a abril de 99, classificam a qualidade da água como moderadamente degradada. Os lagos Igapó 3 e 4 foram considerados, de criticamente degradado a poluído. Os córregos da Mata, Capivara, Cambezinho, Bororé, Água Fresca, Leme e Rubi, que formam os lagos, de acordo com análises físico-química e bacteriológica variaram de pouco a moderadamente comprometidos.
Os córregos apresentaram nível de nitrogênio de 1,61 miligramas por litro. Segundo o relatório, o nível é ‘‘bastante alto’’. A concentração de ferro encontrada foi de 1,40 miligramas por litro. A presença de ferro acima de 1,0 já é considerada prejudicial ao organismo humano. O IAP sugere que a fonte poulidora seja detectada.
Conforme o relatório do IAP, a água nas estações de entrada dos lagos está bem mais poluída do que nas estações próximas à barragem, que é mais profunda. O relatório contatou também que o Igapó, por estar localizado em área urbana, está sujeito à eutrofização, que é o processo de poluição provocado por acúmulo de nutrientes, proliferação de algas e macrófitas (vegetais de grandes folhas como os aguapés) e baixo oxigênio. O Igapó, segundo o IAP, serve como depósito de matéria orgânica e despejos de esgotos.
A degradação deve-se também às chuvas que, ao cair sobre casas e ruas asfaltadas, levam direto para os lagos poluentes tóxicos, lixo sólido e resíduos do ar urbano. O solo impermeável e a ausência de mata ciliar também provocam o acúmulo de sedimentos, causando o assoreamento. As enxurradas ainda levam quantidades significativas de terra para dentro dos lagos, implicando na erosão de suas margens.
O IAP alerta para a frequência dos lançamentos de poluentes e a falta de proteção dos solos, que deve ‘‘comprometer a vida útil dos lagos’’. Fica clara a ‘‘necessidade de ações de fiscalização e controle de poluição, bem como a reabilitação das matas ciliares’’, recomenda o IAP. (M.B.)

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