Mesmo trabalhando, estamos em oração
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Ao entrar no mosteiro, a intenção da reportagem é acompanhar e realizar todas as atividades possíveis das irmãs carmelitas. A primeira conversa acontece em uma sala de visitas, localizada na ala da frente da casa, logo de manhã. Neste horário, todas estão realizando suas atividades diárias. ''Nos reunimos sete vezes ao dia na capela para a santificação das horas. São chamadas de 'Laudes', pela manhã; 'Meridianas', ao meio-dia; 'Vésperas', de tarde, antes do pôr-do-sol; e as 'Completas', à noite, todas acompanhadas de cânticos'', explica a irmã Eliane Teresa do Amor Divino, espécie de porta-voz do grupo.
Na hora de conhecer o interior do mosteiro é possível perceber o quanto o local é quieto. Todas trabalham em silêncio. A cantoria de vários animais fica, portanto, mais evidente. Porém, se algo precisa ser dito, é falado em forma de cochicho. ''Estamos em constante oração, mesmo trabalhando'', diz irmã Eliane, sussurrando. É possível ver cada uma concentrada em suas atividades: uma na cozinha, outra na horta, na limpeza da casa e cuidando dos animais. Isso até que, às 11 horas, o sino toca. Elas param o que estão fazendo e vão à capela para uma breve oração. A reportagem acompanha.
Em seguida, todas se dirigem ao refeitório, onde é realizada mais uma oração em ação de graças. As mesas são distribuídas individualmente pela sala de forma que todas se veem. ''A visita é sempre a primeira a servir-se'', diz a irmã à reporter. A comida é variada e saborosa: salada, legumes, carne, macarrão, lentilha, frutas e compotas de sobremesa. Enquanto comem em total silêncio, uma religiosa fica responsável pela leitura durante toda a refeição e só come depois. Ao terminarem, retiram seu prato, vão à cozinha para lavar, retornam e colocam novamente em seu local na mesa.
Após o almoço, é reservada uma hora para o que chamam de recreação. ''É nosso momento para conversarmos enquanto fazemos trabalhos manuais como bordados e costura.'' A reportagem não foi autorizada a participar dessa atividade. Exatamente às 13 horas todas se reúnem na capela. Uma breve oração é feita para que, então, as irmãs tenham uma hora de descanso. ''É uma hora para que possamos nos recolher um pouco no quarto, rezar o terço do dia, ler um livro. Ou seja, uma hora livre'', explica.
Mais uma vez o sino é tocado - pontualmente às 14 horas. Durante uma hora, são realizadas leituras, orações e cânticos na qual todas participam acompanhadas por teclado ou órgão. Ao final da celebração, as irmãs retomam as atividades que pararam pela manhã e vão até às 17 horas. Neste período, a reportagem é orientada a recolher-se para oração na capela mortuária para rezar o terço e fazer leituras bíblicas. O que é realizado com afinco. O sino toca às 17 horas para avisar que é momento de reunir-se na capela novamente.
Juntas, fazem leituras, cantam e rezam por quase uma hora. Depois, quem tem alguma atividade pendente, como terminar o jantar, pode se retirar. Quem não tem, permanece na capela até às 19 horas. Às 19 horas o jantar começa a ser servido no mesmo ritual do almoço. 21 horas é momento de recolher-se para dormir.
No dia seguinte, o sino toca às 5h15 no mosteiro ''Nossa Senhora de Guadalupe''. Ainda é escuro. Todas deverão estar às 5h30 na capela para a primeira oração do dia. Nenhuma palavra deve ser dita até este momento. Começam as orações e cânticos, com duração de cerca de 40 minutos. Em seguida, o momento de oração individual até o início da missa. Um padre do mosteiro vizinho faz a celebração, que começa às 7 horas. O café da manhã é servido e as atividades prosseguem como todos os dias.


