Mesmo com ações, violência aumenta
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sábado, 11 de abril de 2015
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Pedro Rodolfo Bodê de Moraes, coordenador do Grupo de Estudo da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), diz que causa preocupação o aumento de mortes de mulheres paranaenses no trânsito (6,63% entre 2004 e 2014) e por agressões (13,6%).
"Os homicídios e acidentes de trânsito são considerados indicadores internacionais para medir a violência em uma sociedade. No caso dos homicídios, a situação é especialmente preocupante porque indica a passagem de um patamar para outro, em que se torna difícil recuar para o anterior", explica.
"Se as mortes violentas estão aumentando tanto, é porque alguma forma de controle não funcionou ou deixou de funcionar. Seria necessário desagregar os dados para saber mais sobre que tipos de homicídios foram predominantes, se em situações de violência doméstica, latrocínios, mas há preocupação porque nos últimos anos houve um aumento das políticas estabelecidas de repressão da violência contra a mulher e mesmo assim as mortes violentas cresceram", diz Bodê.
A respeito do fato de os acidentes de trânsito serem o fator prevalente nas mortes de mulheres por causas externas no Paraná, o professor acredita que isso possa ser resultado do aumento da frota. Dessa forma, as mulheres estão se envolvendo mais em acidentes. "Parte dos novos veículos substituiu carros antigos, e muitos homens já possuíam veículos, enquanto mais mulheres passaram a ter carros", argumenta.
Bodê acredita que a forma de diminuir os índices de mortes violentas entre pessoas do sexo feminino passa pelo combate à violência em geral, com educação e repressão, mas também "pelo monitoramento periódico dos dados, para sabermos melhor de que tipos de morte estamos falando".
A promotora de Justiça Mariana Seifert Bazzo, coordenadora do Núcleo de Promoção da Igualdade de Gênero (Nupige) do Ministério Público do Paraná (MP-PR), aponta que o grande aumento das mortes violentas de mulheres no Estado decorre de dois fatores principais. "A violência contra a mulher continua aumentando, continua sendo algo grotesco, e também está havendo mais registro", afirma.
O MP-PR criou em junho do ano passado um cadastro de inquéritos de violência doméstica e familiar contra mulheres no Paraná. No segundo semestre de 2014 foram computados na ferramenta 6.039 inquéritos e 46 homicídios ou tentativas.
"Já é um número altíssimo. Mas nem tudo que passa pelos serviços de saúde chega à Justiça. É uma questão de cultura, por mais que haja a Lei Maria da Penha (publicada em 2006), a Lei do Feminicídio (de março deste ano), a notificação obrigatória nos sistemas de saúde. Existem mecanismos, mas o combate à violência contra a mulher não é algo concluído, é um processo. Em muitos casos, ela continua sendo entendida como algo de menor importância, como se a mulher que não obedece ou que trai o marido merecesse um castigo, por exemplo", critica.


