Terminar o ensino médio, estudar para o vestibular, fazer faculdade e pós-graduação, enfrentar processos seletivos concorridos e finalmente conseguir uma oportunidade a ser agarrada com unhas e dentes no mercado de trabalho. Há alguns anos, esse era o caminho mais conhecido para consolidar uma carreira bem-sucedida no Brasil. Com a globalização e a consequente modernização do País, entretanto, ocupações que nascem de hobbies, trabalhos voluntários ou mesmo que atendam as novas necessidades da população oferecem oportunidades igualmente interessantes a quem não pretende seguir o jeito tradicional de ter sucesso na vida profissional.
Esse novo cenário está explícito na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O arquivo, atualizado em janeiro, passou a conter 2.619 itens, que incluem profissões diversas como DJs, osteopatas, quiropraxistas, equoterapeutas, baristas, socioeducadores e doulas, entre outros exemplos.
As novas atualizações, conforme o MTE, buscam atender as demandas do público em geral e entidades governamentais. ''A CBO retrata a realidade das profissões do mercado de trabalho brasileiro e acompanha o dinamismo das ocupações e mudanças econômicas, sociais e culturais pelas quais o País passa'', diz texto no site do ministério.
De acordo com a especialista em gestão de mudanças Alessandra Assad, professora da FGV/ISAE em Curitiba, as ocupações são incluídas na CBO na medida em que começam a render dinheiro para quem as pratica. É o caso dos DJs, cuja atividade deixa de ser encarada como hobby para se transformar em carreira neste século 21. Para ela, esse contexto de surgimento de novas profissões é consequência da globalização, um fenômeno ''que abriu mercado e abriu a mente das pessoas.''
Alessandra analisa que os jovens atuais são empreendedores e vislumbram a possibilidade de fazer coisas diferentes quando começam a trabalhar, ao contrário da geração anterior, chamada geração X, que iniciou no mundo do trabalho em clima de concorrência ferrenha e ciente de que teria de ''engolir sapos'' para manter as oportunidades conquistadas.
A globalização, segundo ela, trouxe novas necessidades que acabaram modificando o mercado. ''A chance de ser bem-sucedido extrapola as profissões tradicionais. É possível fazer o que se gosta e ganhar dinheiro'', afirma, acrescentando que, para iniciar uma carreira ou um novo negócio, é importante ter sensibilidade para interpretar o mercado.
Neste novo cenário, mais importante que o currículo é a capacidade de se adaptar às mudanças. ''O princípio para ser bem-sucedido é gostar e ser bom no que faz. O momento que o Brasil vive, com os olhos do mundo voltados para nós, é uma graça que precisa ser aproveitada'', avalia.
Alessandra lembra que algumas profissões surgem de hobbies e, nestes casos, apesar da eterna sensação de diversão, o trabalho tem que ser levado a sério para garantir a excelência. ''Ninguém fica excelente apenas com talento. É preciso muito treino, e isso vale para todas as profissões, tradicionais ou não.''
Entre os setores com boas oportunidades no atual mercado de trabalho brasileiro, ela aposta na demanda por atendimento personalizado e humanizado, o que abre espaço para as doulas (especializadas no acompanhamento de gestantes), por exemplo, uma das ocupações recentemente classificadas pela CBO. Setores diversos, que incluem desde gestão de mídias sociais à inteligência artificial, passando por e-commerce, entretenimento, comunicação, biotecnologia, reciclagem, logística e gestão de projetos, entre outros exemplos, configuram boas oportunidades de trabalho para quem busca desafios e tem disposição para se movimentar neste novo ambiente.
A CBO é utilizada pelo MTE na confecção da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no cruzamento de dados do Seguro-Desemprego e na formulação de políticas públicas de geração de emprego e renda. Outras instituições governamentais utilizam a CBO para seus produtos, como a Declaração de Imposto de Renda, o cadastramento no INSS, em políticas públicas de Saúde, no Censo Educacional e em pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Imagem ilustrativa da imagem MERCADO DE TRABALHO - 'Novas' profissões trazem boas oportunidades
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