A maior oferta de empregos no mercado de trabalho brasileiro, as políticas de ajuste financeiro das empresas e até mesmo as características comportamentais das novas gerações criam um cenário que favorece a rotatividade entre as pessoas atualmente empregadas no País. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), referentes a trabalhadores com vínculos empregatícios celetistas, indicam que, no Brasil, em 2006, o índice de demissões sem justa causa (por iniciativa do empregador) representavam 78,91% dos desligamentos. De janeiro a setembro de 2013, o índice caiu para 53,76%.
Já as demissões a pedido do próprio trabalhador aumentaram de 19,39% para 29,26% no período, indicando que a lei da oferta e da procura está causando mudanças no comportamento dos trabalhadores. No Paraná, o cenário é parecido. Em 2006, as demissões sem justa causa representavam 75,13% do total, caindo para 46,15% em 2013. O índice de demissões por iniciativa do trabalhador subiu de 23,21% para 37,71%.
"Quando a demanda é maior que a oferta, a tendência natural é a elevação dos preços de um produto. No caso do mercado de trabalho, como estamos vivendo uma das menores taxas de desemprego na história do Brasil, evidentemente as pessoas sentem-se mais seguras para experimentar novas propostas, negociar com as empresas melhores salários em troca de sua fidelidade", defende o professor Luciano Salamacha, do Isae/FGV.
Ele afirma que a rotatividade é maior nos setores com maior demanda de mão de obra qualificada e cita o caso da construção civil. "Grandes construtoras tiveram que se adaptar e, em meio à disputa por engenheiros que pudessem responder pela execução de um empreendimento, passaram a contratar arquitetos para essa função", analisa. Atividades artesanais como as exercidas por marceneiros e costureiros, que exigem conhecimento técnico e experiência, também tornaram-se setores com maior dificuldade de retenção de talentos. "Outros exemplos são os setores ligados à alta tecnologia, como programadores e desenvolvedores de software", lembra.
Engana-se quem acredita que a rotatividade é uma exclusividade das funções com remunerações mais baixas. Nos cargos executivos, segundo Salamacha, as mudanças de profissionais são causadas pela capacidade de gerar resultados de curto prazo. "O PIB brasileiro em 2012 ficou abaixo de 1%. Salvo setores que passaram à margem dessa estagnação do crescimento, a grande maioria das empresas exigiu dos executivos decisões complexas e delicadas. O tempo de resposta dessas decisões passou a ser cada vez mais curto e o não alcance dos objetivos impactou diretamente nos pagamentos de bônus por produtividade. Isso incentiva a ciranda de executivos no meio empresarial", explica.
E como decidir qual o tempo ideal para permanecer na mesma empresa? O especialista responde que alguns indicadores podem ser úteis para identificar quando a relação entre empresa e profissional está perto do fim. O principal deles é avaliar o quanto o profissional vem agregando novas técnicas e métodos voltados à modernização do negócio e a perpetuidade da empresa. "O profissional deve questionar se está apresentando resultado menor, igual ou maior que no início. Se a resposta for a primeira alternativa (menor), seu tempo de empresa já chegou ao fim. Se for a segunda, ainda há tempo para reverter, mas deve agir com rapidez. Somente no terceiro caso é que a relação ainda apresenta espaço para continuar. Um profissional com dez anos de empresa que apresenta o mesmo desempenho de alguém que acaba de ser contratado deve se questionar sobre o quanto agregou valor à sua carreira no período", explica.
O especialista alerta, ainda, que o profissional mais cobiçado pelas organizações é aquele que está preparado para enfrentar situações novas. "Quem consegue conviver com o ambiente de incertezas, adaptando-se com grande velocidade às mudanças e sendo um criativo voltado à geração de resultados se torna imprescindível", afirma. Atingir este patamar implica em aperfeiçoamento constante que se traduza em ações práticas. "A qualificação poética e desvinculada do mundo real está cada vez mais resignada ao mundo acadêmico. O que interessa agora é o que as pessoas são capazes de transformar o que adquiriram de conhecimento em resultados para sua carreira e para as empresas onde trabalham."

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