Falada já e dose. Escrita, então... A mentira preto-no-branco parece constituir a prova cabal da caradura do seu autor. É bem verdade que, muitas vezes, o mentiroso acredita piamente na própria lorota. Vide dois casos do fundo do baú: ‘‘Minha Luta’’ e ‘‘Enciclopédia Nossa Vida Sexual’’.
Em ‘‘Minha Luta’’ (‘‘Mein Kampf’’), Adolf Hitler despejou sem dó seu discurso anti-semita, carregado de sofismas. Para saber que os judeus eram inferiores, escreveu ele, bastava olhar para a sua constituição corporal. Chegou ao ponto exaltar o grande serviço prestado pelas bermudas e camisetas – em contrapartida às calças e casacos –, que deixavam patente tal inferioridade.
O assunto do médico Fritz Kahn era outro. Em sua jurássica ‘‘Enciclopédia Nossa Vida Sexual’’, há um baú de pérolas que vão da correspondência do tamanho do nariz ao do falo até a origem do corrimento vaginal: espécie de ‘‘resfriado’’ da vagina, deveria ser evitado através de procedimentos simples, como poupar os pés do chão frio e da umidade. Destaque para as condições ‘‘sine qua non’’ para um casamento feliz: a mulher deve evitar escolher para esposo um homem bêbado, assim como o homem deve evitar a mulher que não saiba cozinhar. Então, tá. (AE)

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